Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

'Michel Temer tem uma dívida comigo', diz Janaína Paschoal

A advogada de acusação disse que, depois do processo que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, o atual presidente da República deve ser o 'maior de todos os tempos'

Isabela Bonfim , O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2016 | 15h25

BRASÍLIA - Após o fim da sessão que selou o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a jurista Janaína Paschoal, uma das autoras do processo de impeachment, enviou uma recado para o novo presidente, Michel Temer. "Ele tem uma dívida comigo. Ele me deve ser o maior presidente de todos os tempos", disse a advogada. 

Janaína mandou o recado pelo telefone de um assessor parlamentar do Senado para o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, um dos braços direito de Temer. Ela disse não saber ao certo com quem estava falando no início.

A jurista comemorou o resultado do processo. "Eu sempre tive convicção de que o afastamento era justo, mas apenas hoje, durante a votação, é que percebi a magnitude do processo", afirmou.

Janaína concordou com a decisão do ministro Ricardo Lewandowski de separar as condenações à presidente. Durante a sessão, ele optou por fazer duas votações, uma que determinava o afastamento de Dilma do cargo de presidente e outra para decidir se suspendia as funções políticas da petista e seu direito de elegibilidade por oito anos. "Acredito que foi uma decisão justa, respaldada pelo que foi feito no processo de impeachment do ex-presidente Fernando Collor", disse.

Por outro lado, a jurista chamou de "compaixão" a decisão dos senadores de rejeitaram a perda das funções públicas de Dilma Rousseff. "Acho que ali no final, houve um ato de compaixão dos senadores. Houve um apelo, alguns falaram sobre seu salário de aposentadoria, sobre o impedimento de ser até mesmo professora", alegou. 

Tietagem. A jurista foi uma das últimas a deixar o plenário do Senado. Todos os senadores já haviam saído quando restaram apenas ela e o colega de processo, o jurista Miguel Reale Jr. Janaina foi muito assediada por funcionários do Senado e chegou a tirar fotos com seguranças, equipe de notas taquigráficas, assessores parlamentares e outros membros da secretaria da Mesa Diretora do Senado Federal.

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