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Metade das obras prometidas para a Copa não foi concluída

Dois anos depois, várias intervenções na área de mobilidade urbana estão paralisadas ou andando a passos de tartaruga

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2016 | 05h00

“Cuiabá antecipou a construção do VLT em 30 anos. Se não tivesse Copa em Cuiabá, isso não teria acontecido. Será outra cidade (depois do Mundial).” O então ministro do Esporte, Aldo Rebelo, usava a frase quase como mantra ao ser questionado sobre atrasos e desconfiança de irregularidades na construção do Veículo Leve sobre Trilhos na capital do Mato Grosso. Dois anos após a Copa, a obra se tornou símbolo do não cumprimento do legado prometido para vender o Mundial à população. Dinheiro dos governos federal, estaduais e municipais escorreu, e ainda escorre, pelo ralo.

O VLT que ligaria Cuiabá a Várzea Grande, num percurso de 22 quilômetros, teve as obras paralisadas. Parte foi concluída, mas, do restante, trilhos estão apodrecendo, assim como trens, parados num pátio. CPI na Assembleia do Mato Grosso investiga possível superfaturamento de R$ 100 milhões na compra de 280 vagões.

A obra que resolveria o problema de transporte de Cuiabá foi interrompida após ser torrado R$ 1 bilhão do cerca de R$ 1,5 bilhão previstos. Talvez não fique pronta nem daqui a 30 anos, embora autoridades do Estado a prometam para 2018.

Não é o único caso de legado da Copa prometido e não entregue. Os dados são imprecisos. Mas, com base no balanço final divulgado pelo Ministério do Esporte sobre o Mundial, das 44 obras de mobilidade previstas, com custo estimado à época de R$ 22,789 bilhões de dinheiro público (governo federal, Estados e municípios), metade não estava concluída no fim de 2015.

Outro VLT, este em Fortaleza, teria percurso de 13 quilômetros entre o Porto de Mucuripe e Porangaba, mas, após consumir R$ 103 milhões, boa parte das obras está parada – o trecho total deveria ter sido inaugurado em maio de 2014. O governo do Ceará promete concluir o VLT, que tem recursos federais, no próximo ano. Após gastar pelo menos mais R$ 170 milhões. 

Prejuízos. Em Pernambuco, a arena construída para a Copa em São Lourenço da Mata, a 22 quilômetros do centro do Recife, é moderna e funcional. O problema é a dificuldade de se chegar até lá. Isso porque o Terminal Cosme e Damião do BRT, que funcionou durante o Mundial, está fechado e se deteriorando. Isso após consumir R$ 18 milhões, o dobro do gasto no Terminal Caxangá, hoje depósito de lixo.

Para a população da região, o prejuízo é ainda maior do que para quem quer ir ao estádio, pois uma viagem de transporte público para Recife, que poderia ser feita em 30 minutos, leva quase duas horas.

Para além das obras de mobilidade, há legado não entregue em outras áreas, como a dos aeroportos. O Galeão ainda não concluiu sua reforma. Pior é o caso de Fortaleza. A empresa que venceu a licitação faliu e o governo local simplesmente desistiu de ampliar o aeroporto.

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