André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Mesmo com novas informações, oposição não vai endossar cassação de Cunha

Nenhum parlamentar da oposição pretende assinar o pedido do PSOL e da Rede contra o peemedebista

Isabela Bonfim e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 18h39

Brasília - Apesar do agravamento das denúncias contra o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a oposição na casa não pretende endossar pedido de cassação do mandato do peemedebista. Para líderes oposicionistas, o foco está no impeachment de Dilma Rousseff. Para o vice-líder do PSDB, deputado Nilson Leitão (MT), não há novidade nas solicitações da Procuradoria Geral da República (PGR). "São os mesmos fatos. Não dá para cada vez que a PGR soltar uma nota, a oposição se posicionar sobre isso", afirmou. 

 

"A posição do PSDB não muda. O partido defende a mesma coisa, a nossa nota foi muito clara para que Cunha se afaste do cargo", afirma Leitão. O líder do PSDB na Câmara, deputado Carlos Sampaio (SP), também reiterou a nota divulgada pelo PSDB há uma semana e que o processo de afastamento do presidente da Câmara seguirá seu andamento normal. "O processo será feito por meio do Conselho de Ética, que tem autonomia total para isso, tanto que seus membros possuem mandato e não podem ser substituídos." A PGR solicitou nesta sexta-feira, 16, o bloqueio de mais duas contas bancárias na Suíça atribuídas a Eduardo Cunha. 

 

Mais cedo, o secretário-geral do PSDB, deputado Silvio Torres (SP), afirmou que a agenda da oposição não depende das "reduzidas chances de sobrevida" do peemedebista. Para os líderes oposicionistas, as denúncias contra Eduardo Cunha tiram o foco do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

 

O presidente nacional do PPS, deputado Roberto Freire (SP), disse que é preciso voltar a atenção para o processo de afastamento da petista. Em sua avaliação, as revelações contra Cunha estão em curso no Conselho de Ética da Casa e no STF, instâncias que podem julgá-lo. "Cunha tem um processo equacionado no Conselho e no STF. Não podemos julgar crime de ninguém", afirmou. Freire disse que a oposição precisa focar no impeachment de Dilma. "Só nós podemos julgar Dilma", disse. Ele evitou defender abertamente o afastamento de Cunha: "ele só pode perder (o cargo) se renunciar ou se houver ação (pedindo cassação) no Conselho". 

 

Quanto à cobrança feita por deputados do Psol, Rede e PT, para que a oposição se expresse mais claramente em favor do afastamento de Cunha assinando requerimento junto ao Conselho de Ética, os deputados oposicionistas mantêm desafio para que, em troca, os mesmos deputados se posicionem pelo impeachment de Dilma. "Se os deputados do PT, Psol e Rede assinarem o impeachment de Dilma, na mesma hora assinaremos esse documento do Psol", afirmou Nilson Leitão. O vice-líder afirmou ainda que o requerimento de abertura de processo por quebra de decoro parlamentar contra Eduardo Cunha é propagandístico. "Regimentalmente, não vale nada. É só publicidade."/ Colaborou Igor Gadelha

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