Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Mercadante e Levy coordenam definição de novos nomes para Petrobrás

Governo escala ministro da Casa Civil para buscar sucessores para presidência executiva; ao titular da Fazenda caberá indicar integrantes para o Conselho de Administração

Irany Tereza, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 12h30

Brasília - O governo abriu duas frentes ministeriais na busca por uma solução para o comando da Petrobrás. O titular da Casa Civil, Aloizio Mercadante, coordena a busca por nomes para a presidência executiva da empresa. Já o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tenta arregimentar nomes para o Conselho de Administração capazes de devolver à companhia a credibilidade do mercado.

Agora, com a data estipulada para esta sexta-feira para eleger a nova diretoria - de acordo com o comunicado enviado nesta quarta-feira, 4, pela Petrobrás à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) - o governo tem de apresentar uma definição em tempo recorde. Levy também está empenhado em encontrar uma metodologia capaz de desatar o nó contábil que permita incluir no balanço da companhia as perdas de ativos supervalorizados e os prejuízos de operações sob suspeita de corrupção.

Segundo fontes que acompanham de perto as negociações, o nome que surge com maior probabilidade é o do presidente da Vale, Murilo Ferreira. O executivo reúne alguns atributos bastante favoráveis: tem um excelente relacionamento com o mercado financeiro, mudou o planejamento estratégico da Vale adequando-o a um cenário de crescimento mais moderado, tem a simpatia da presidente Dilma Rousseff e um perfil bastante diplomático.

Ferreira está em plena negociação com os bancos, diante da perspectiva de rebaixamento o rating da mineradora pelas agências de risco, embora a empresa ainda mantenha o chamado "grau de investimento", que a coloca entre o grupo de companhias com baixo risco para os investidores.

 

Não é a primeira vez que o nome do executivo surge como alternativa para a Petrobrás. Da primeira vez, em dezembro do ano passado, ele mesmo rechaçou a possibilidade. Em almoço de fim de ano com jornalistas para falar sobre o desempenho da Vale, ele declarou que não havia sido "sondado, indicado ou convidado" para a petroleira.

 

A "solução Murilo Ferreira" parece um pouco mais fácil do que outras no momento, inclusive por conta do grupo controlador da Vale, formado pela Bradespar (Bradesco) e Previ (fundo de pensão do Banco do Brasil). Seria, portanto, o segundo maior banco privado brasileiro e a caixa de previdência ligada diretamente à União buscando estancar a sangria da Petrobrás, a maior empresa nacional.

 

Outro nome na mesa para a presidência da Petrobrás é o de Rodolfo Landim, que já presidiu a BR Distribuidora. A presidente Dilma nunca escondeu a admiração pelo perfil técnico de Landim. Mas, além de o executivo estar hoje tocando seu próprio negócio privado, ainda é forte no mercado a imagem da briga travada com Eike Batista, com quem participou da administração da petroleira OGX. Landim não tem o mesmo peso de Ferreira na balança do mercado.

 

Henrique Meirelles, que presidiu o Banco Central no governo Lula, também tem tido seu nome citado como próximo presidente da Petrobrás. Segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, este seria um nome mais indicado para o Conselho de Administração da companhia.

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