Mensalão: de éticos a expulsos

Mensalão: de éticos a expulsos

PT tem históricos de expulsão, como de Paulo de Tarso Venceslau, Heloisa Helena, Babá, Luciana Genro e João Fontes

Ricardo Galhardo, Impresso

26 Fevereiro 2017 | 05h00

Em 2003 o PT expulsou, por orientação da Comissão de Ética, a senadora Heloisa Helena e os deputados João Batista “Babá”, Luciana Genro e João Fontes. Os quatro se recusaram a votar a reforma da Previdência do governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O processo contra Heloisa Helena teve como relator na Comissão de Ética o então tesoureiro do partido, Delúbio Soares, e o procedimento que recomendou a expulsão dos três deputados foi relatado por Silvio Pereira, o Silvinho, à época secretário-geral do PT.

Ironicamente, dois anos depois Delúbio e Silvinho seriam protagonistas de um dos maiores escândalos de corrupção da história do PT, o mensalão. Silvinho pediu desfiliação quando se soube que ele recebeu um Land Rover de presente de uma empreiteira que tinha negócios com o governo.

Delúbio foi expulso com base também em recomendação da Comissão de Ética, acabou preso e foi readmitido no PT. É visto com frequência em reuniões da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB).

“O mais irônico é que nossa expulsão foi decidida no hotel Blue Tree, em Brasília, justamente onde o Delúbio tinha um apartamento e se reunia com políticos”, contou Babá, hoje filiado ao PSOL.

Mais casos. No fim da década de 1990, o PT expulsou Paulo de Tarso Venceslau, fundador do partido. Ele havia denunciado um esquema de corrupção envolvendo o advogado Roberto Teixeira, amigo de Lula. A Comissão de Ética deu razão a Venceslau, recomendou punição a Teixeira, mas, em uma manobra, o grupo de Lula apresentou um relatório alternativo que pedia a expulsão do autor da denúncia por supostamente atentar contra a honra dos companheiros. 

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