Reprodução/SBT
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Mensagens tornam 'inevitável' convocação de Cabral na CPI, diz tucano

Para Alvaro Dias, torpedos entre governador do RJ e Vaccarezza mostram base aliada sem unidade

João Coscelli - estadão.com.br

18 Maio 2012 | 11h16

SÃO PAULO - A divulgação da mensagem enviada por celular pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) ao governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), durante reunião da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Cachoeira, torna "inevitável" a convocação do peemedebista para depor aos parlamentares, afirmou o líder do PSDB no Senado, o senador Alvaro Dias (PR), um dos titulares da comissão, ao Estadão.com.br.

 

"Acho que isso (a mensagem) torna inevitável a convocação de Cabral, coloca o governador em suspeição", disse Dias. "Ao invés de uma atitude de defesa, a mensagem acaba representando uma velada acusação", completou o parlamentar, acrescentando que a comissão vai insistir na "necessidade de investigar as relações do governo do Rio com a Delta", empresa ligada ao contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

 

Na troca de mensagens flagrada na quinta-feira pelo canal SBT durante reunião da CPI, Vaccarezza, ex-líder do governo na Câmara, blinda Cabral. "A relação com o PMDB vai azedar. Mas não se preocupe. Você é nosso e nós somos teu (sic)", escreveu ele via torpedo ao governador do Rio.

 

Para Dias, as mensagens também demonstram a falta de unidade da base aliada em torno da CPI. "Há aqueles que estão dispostos a investigar, mas há também os que estão lá para proteger algumas figuras e eleger alvos para o sacrifício. Isso é evidente", completou.

 

Em entrevista à Rádio Estadão ESPN, Vaccarezza disse ter enviado a mensagem a Cabral em um "momento de irritação com o PMDB". O petista não perdeu a oportunidade para lembrar que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB-GO), também pode ser convocado. "O governador Cabral não teve nenhuma citação telefônica sequer. Não tem um envolvimento com a quadrilha de Cachoeira. Governador em contato direto com o Cachoeira só tem um, o governador (Marconi) Perillo", declarou.

 

O governo do Rio de Janeiro, por sua vez, informou por meio de sua assessoria de imprensa que não vai comentar o caso.

 

A oposição apresentou requerimento para que Cabral fosse convocado a depor na CPI para explicar suas relações com Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, depois que foram divulgadas imagens do governador do Rio ao lado empresário. As fotos foram publicadas no blog do deputado Anthony Garotinho (PR-RJ).

 

Os requerimentos para a convocação de Cabral, Perillo e de outro governador - Agnelo Queiroz (PT-DF) - acabou fora da pauta de votação da quinta-feira. De acordo com o presidente da comissão, o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), esses requerimentos poderão retornar à pauta no dia 5 de junho, data marcada para a próxima reunião administrativa. 

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