Meirelles se diz 'focado no cargo' e que não está pensando em disputar a Presidência

Em conversa com empresários, ministro da Fazenda disse que espera que reforma da Previdência seja aprovada em 19 ou 20 de fevereiro

Leonardo Augusto, ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S. Paulo

08 Fevereiro 2018 | 18h36

BELO HORIZONTE - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta quinta-feira, 8, em Belo Horizonte que está “100%” focado no cargo e que não pensa no momento em disputar a Presidência da República. Meirelles falou a empresários e disse ainda que a expectativa do governo é de que a reforma da Previdência seja aprovada no dia 19 ou 20 de fevereiro.

Questionado sobre a possibilidade de se candidatar, Meirelles disse que pretende executar bem as suas funções até o final e que tomará a decisão até o dia 7 de abril, prazo máximo para desincompatibilização para disputa da eleição de outubro. “Acontece o tempo todo. Autoridades pensando em outro cargo e começa a ter problema com o cargo que ocupa.”

Meirelles lembrou a última vez em que teve de tomar decisão parecida e disse que só se posicionou no último dia do prazo. “Estava no Banco Central e decidi ficar no Banco Central”, afirmou. O episódio ocorreu em 2010, quando o hoje ministro da Fazenda foi cogitado para ser vice na chapa para a disputa do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Tenham certeza que eu estando como ministro da Fazenda estarei 100% focado no meu trabalho”, disse.

“Vou tomar essa decisão de ser ou não ser candidato até dia 7 de abril. Tenho responsabilidade muito grande com o Brasil. O País está saindo da maior crise da História. O desemprego também foi o maior da História. Estamos começando a crescer, então é fundamental que eu esteja 100% em colocar o Brasil para crescer.” Conforme o ministro, em 2018 o Brasil irá gerar 2,5 milhões de empregos.

Previdência. Segundo o ministro, o Planalto vem discutindo “aspectos pontuais” da reforma da Previdência, e voltou a negar a possibilidade de mudança na idade mínima prevista no texto. “Não pode ser alterada, caso contrário desfiguraria a reforma.” O projeto prevê 65 anos para aposentadoria dos homens e 62 para a das mulheres, com regras de progressão.

“Estamos discutindo aspectos pontuais. A nossa proposta atual é a que foi lida pelo relator. Agora o Congresso Nacional é soberano e, pela democracia, pela Constituição brasileira, tem poderes para aprovar e, evidentemente, temos que trabalhar realisticamente. Agora, a proposta do governo, que estamos defendendo, é essa que foi lida pelo relator”, disse o ministro, sem especificar quais seriam os pontos em negociação.

Meirelles afirmou que a reforma da Previdência não é uma decisão política. “Não há opção. É uma necessidade. Se não fizer, a Previdência, que hoje representa 50% do orçamento da União, em dez anos chega a 80%, e não sobre dinheiro para saúde, educação e segurança”, disse.

Selic. Meirelles classificou como uma “notícia extraordinária” o anúncio dos juros em 6,75%, nesta quarta-feira, 7, pelo Banco Central. “São os menores da História do País”, afirmou. O ministro evitou, no entanto, comentar a possibilidade de novos cortes. “Vamos deixar para o Banco Central as próximas decisões. Fui presidente do BC durante oito anos e uma das coisas que eu dizia à época é que não ajudava ministro da Fazenda dizer o que o BC tinha que fazer. Cumpro e mantenho o que dizia. Acho que o BC está fazendo as coisas certas e vai continuar.”

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