André Dusek/Estadão
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Marun defende Cristiane como ministra e que governo não vai trocar Segovia

Ministro da Secretaria de Governo diz que Planalto espera 'bom senso' da Justiça no caso da deputada e que Temer 'não cogita' trocar Fernando Segovia do comando da PF

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 19h31

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun,falou nesta quarta-feira  que o governo continua confiando "no bom senso da justiça" em relação a autorização da Justiça para que a deputada Cristiane Brasil (PTB-RJ) possa assumir o ministério do Trabalho. "O governo vai continuar confiando no respeito a Constituição federal", disse o ministro, que afirmou não ter lido a decisão da presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, de manter suspensa a posse.

Marun rebateu os questionamentos se não era melhor para o governo desistir logo da nomeação da filha de Roberto Jefferson. "Não estamos aqui para fazer o que é fácil, estamos aqui para fazer o necessário e neste momento é necessário que se estabeleça claramente o respeito ao que está na Constituição, de que a escolha de ministros é uma prerrogativa privativa do presidente da República", afirmou.

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Em decisão publicada nesta quarta-feira (14), Cármen Lúcia decretou que a competência sobre o caso da deputada é do Supremo Tribunal Federal, e determinou o "imediato encaminhamento dos autos" da suspensão de liminar, que havia sido acatada pelo vice-presidente do STJ, ministro Humberto Martins, para o STF, "cassando-se a decisão proferida pela autoridade reclamada por manifesta incompetência". Com isso, quem deverá julgar definitivamente o impasse da posse agora é o Supremo.

 

Marun disse que acredita que não cabe ao governo pedir celeridade para o STF, mas que o ideal é que o tema seja resolvido logo já que a pasta está com comando interino há mais um mês. 

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Polícia Federal. Apesar de dizer que não conversou com o presidente Michel Temer a respeito das declarações do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segovia, Marun, disse que "não existe essa cogitação" de uma possível troca no comando da PF.

"Nós entendemos, eu não conversei com o presidente sobre isso, mas entendo que essa é uma questão encerrada. O diretor-geral, em função do respeito que ele tem à Justiça, vai prestar os esclarecimentos solicitados pelo ministro Barroso. Mas eu, sinceramente, tenho uma visão pessoal em relação a isso que é: o decreto não beneficia a Rodrimar, isso aí é que nem você estar investigando um assassinato de alguém que está vivo", afirmou o ministro, na saída do Palácio da Alvorada, onde esteve com Temer para discutir estratégias para tentar colocar em votação a reforma da Previdência na semana que vem.

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Em entrevista à Reuters na última sexta-feira, Segovia comentou que as investigações não encontraram provas de irregularidades envolvendo o presidente Michel Temer no chamado Decreto dos Portos. Na entrevista, ele sinaliza que a corporação vai recomendar o arquivamento do inquérito aberto contra o emedebista no Supremo Tribunal Federal (STF). Segovia irá responder aos questionamentos do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, na próxima segunda-feira.

Marun disse ainda que Segovia "verbalizou o óbvio" e que a crise em torno das declarações do diretor-geral da PF é uma "tempestade em copo d'água". "O decreto não beneficia a Rodrimar, temos hoje um contingente de polícias trabalhando num decreto onde não existe o delito", afirmou.

O ministro disse que já viu "muitas vezes" promotores e delegados prestando informações em entrevistas sobre inquéritos em andamento. "Não vejo nenhum ineditismo nas palavras do Segovia, até estranho uma celeuma tão grande a respeito deste assunto", destacou Marun.

Para o ministro da Secretaria de Governo, "o provável caminho natural" é o arquivamento do decreto. O ministro minimizou o fato de Segovia ter sido indicado por Temer e dar declarações supostamente a favor do presidente. "Ele verbalizou o óbvio e isso quase se transforma num caso político", afirmou. "Eu veria gravidade se alguém indicado por qualquer um que fosse mentisse. A partir do momento que alguém indicado fala a verdade, eu não vejo sinceramente gravidade." 

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