Marta Suplicy contrata tucano como consultor de comunicação

O ex-deputado Xico Graziano, auxiliar do ex-presidente FHC, vai ajudar a senadora do PMDB nas redes sociais

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

10 Março 2016 | 07h54

São Paulo - No momento em que o PSDB paulista enfrenta uma disputa fratricida pela vaga de candidato do partido à Prefeitura de São Paulo, o ex-deputado tucano Xico Graziano, um dos mais próximos auxiliares do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso, fechou um contrato para reformular a estratégia da senadora Marta Suplicy (PMDB) nas redes sociais.

A ex-prefeita, que deixou o PT em abril, disputará a Prefeitura pelo PMDB. O serviço de consultoria de Graziano, que foi antecipado ontem pela coluna Direto da Fonte, pode se estender até a campanha. “Se, eventualmente, eu fizer a campanha dela, o objetivo será ganhar do PT e ajudar a virar essa página do Brasil. Não tenho ideia do que vai acontecer no PSDB e não posso pensar nisso. Tenho que trabalhar”, afirmou Graziano.

Em associação com Maurício Brusadim, que foi aliado da ex-ministra Marina Silva, ele montou uma empresa de reposicionamento digital. Em 2014, a dupla atuou na campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB-MG).

O tucano já apresentou para a senadora uma plataforma de internet que permite a interlocução com líderes dos setores organizados da sociedade civil interessados nas causas da cidade. Na segunda-feira passada, Graziano e Marta fizeram a primeira “roda de conversa” com diálogos diretos. A iniciativa faz parte da estratégia de Marta de aperfeiçoar sua comunicação e preparar o terreno para a disputa municipal.

Tucanos admitem, reservadamente, que uma eventual candidatura do empresário João Doria à Prefeitura pelo PSDB não contaria com o suporte dos aliados do vereador Andrea Matarazzo, que tem, entre outros, FHC e o senador José Serra ao lado dele nas prévias do partido. Candidato pelo primeira vez, Doria conta com o apoio do governador Geraldo Alckmin.

Reação. A decisão de Graziano de auxiliar Marta causou reações entre aliados de Doria. “Se ele declarou que, não obstante sua condição de filiado ao PSDB, vai ajudar na configuração da campanha de candidato de outro partido, do ponto de vista da ética partidária, me parece injustificável”, afirma José Henrique Reis Lobo, ex-presidente do partido na capital.

Graziano garante que não pretende deixar o PSDB caso assuma a coordenação da campanha de Marta Suplicy. O partido consente, não de forma explícita, que os profissionais que atuaram em campanhas do PSDB no passado estejam “construindo pontes” com a senadora. Apesar de ter sido adversária da legenda no passado, Marta se aproximou de quadros da sigla depois de romper com o PT. No Senado, por exemplo, ela mantém uma boa relação com o senador José Serra.

Procurada, a senadora não quis comentar a contratação de Graziano e a aproximação com setores do PSDB. Antes de ingressar no PMDB, ela negociou sua entrada no PSB, cujas conversas contaram com o aval de Alckmin. Em São Paulo, o PSB orbita na esfera de influência do governador.

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