Marisa Letícia tem ausência de atividade cerebral

Marisa Letícia tem ausência de atividade cerebral

Família autoriza doação de órgãos da ex-primeira-dama; Lula recebe visitas de amigos e políticos no hospital, incluindo Fernando Henrique e Temer

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2017 | 13h52
Atualizado 02 Fevereiro 2017 | 23h59

SÃO PAULO - Médicos responsáveis por atender a ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva informaram nesta quinta-feira que ela não apresenta mais atividade cerebral. Marisa, de 66 anos, está internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, desde 24 de janeiro, quando foi vítima de um acidente vascular cerebral (AVC). O quadro de Marisa indica morte cerebral.

O cardiologista Roberto Kallil Filho disse na quarta-feira que o estado de saúde da mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é considerado “irreversível”. Conforme boletim médico, já foram iniciados os procedimentos para doação de órgãos com a autorização da família. Está definido que serão doadas as córneas de Marisa.

Ela havia manifestado a familiares o desejo de ser cremada, o que será atendido. A cerimônia de cremação está prevista para ocorrer no cemitério Jardim da Colina, em São Bernardo do Campo (SP). O velório será na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo, onde Marisa e Lula se conheceram no início dos anos 70.

Segundo médicos do Hospital Sírio-Libanês, o coração da ex-primeira-dama continuava batendo em ritmo estável até o início da noite desta quinta-feira, apesar de os aparelhos que auxiliam as atividades vitais terem sido desligados. De acordo com eles, a ausência de atividade detectada por exames indica a morte cerebral. Ao receber a informação, nesta quinta de manhã, Lula disse que teria “toda paciência do mundo”.

Homenagens. O Hospital Sírio-Libanês se transformou nesta quinta-feira em local de peregrinação de políticos. Na fila, antigos adversários de Lula, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi ao hospital acompanhado do ex-ministro da Justiça José Gregori. 

Conforme pessoas que estavam na UTI, o encontro foi “muito afetuoso”. Lula e FHC trocaram diversos abraços e depois conversaram a sós em uma sala reservada. 

Amigos lembraram que a cena remeteu à visita que Lula fez ao tucano durante o velório da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, em 2008.

Vaias. O presidente Michel Temer também esteve no hospital na noite desta quinta-feira para prestar solidariedade a Lula. 

Temer chegou num furgão, acompanhado de comitiva que incluía o ex-presidente José Sarney, os ministros das Relações Exteriores, José Serra, e da Fazenda, Henrique Meirelles, o chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, o novo presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), e o ex-presidente do Senado e novo líder do PMDB na Casa, Renan Calheiros (AL).

Ao entrar pela porta da frente do Hospital Sírio-Libanês, Temer foi hostilizado com vaias e gritos de “assassino”, “golpista” e “bandido” por um grupo de militantes do PT que permanecia na entrada do local desde a manhã. No grupo também havia militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de outros sindicatos ligados ao partido. “Viemos trazer conforto ao Lula”, disse João de Oliveira, secretário-geral da CUT-SP, antes da visita de Temer.

A visita do presidente e de ministros durou pouco mais de meia hora.

Outro adversário político de Lula, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), também ligou para prestar condolências. Lula recebeu ainda contatos de Serra e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Visitas. Também estiveram no hospital nesta quinta os ex-ministros Guido Mantega, Fernando Haddad, Miguel Jorge, Roberto Rodrigues, Maria do Rosário, Celso Amorim, Eleonora Menicucci, Aloizio Mercadante, Alexandre Vannuchi e Alexandre Padilha, além do ex-secretário Nacional de Imprensa, Ricardo Kotscho e do presidente nacional do PT, Rui Falcão.

Durante a manhã, chegaram os senadores petistas Lindbergh Farias, Gleisi Hofmann e Humberto Costa e à tarde Jorge Viana, Paulo Rocha, José Pimentel e Jandira Feghali. 

Alguns militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) que estavam na frente do hospital hostilizaram jornalistas. O gesto foi reprovado pelos políticos que foram ao Sírio-Libanês.

“Viemos pedir que o Brasil pare com este clima de absoluta intolerância. Que as questões políticas sejam conduzidas sem que se destruam as pessoas. Achei um gesto bonito, importante, do presidente Fernando Henrique de vir aqui dar um abraço no presidente Lula”, disse Jorge Viana. 

Mais cedo, a presidente cassada Dilma Rousseff divulgou nota de pesar. Em viagem à Europa, Dilma tem falado com Lula todos os dias desde que Marisa Letícia foi internada. 

A presidente afastada antecipou seu retorno ao Brasil e deve chegar na manhã de hoje a São Paulo.

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