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Eleições 2014

Marina diz que não sabia sobre ilegalidade de jatinho de Campos

Ana Fernandes e Isadora Peron - Estadão Conteúdo

27 Agosto 2014 | 20h 53

Em entrevista ao Jornal Nacional, candidata do PSB afirma ter 'compromisso com a verdade'

Atualizada às 22h11

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, disse nesta quarta-feira, 27, que não sabia de qualquer irregularidade envolvendo a contratação da aeronave utilizada por Eduardo Campos no dia do acidente aéreo que matou o então concorrente ao Planalto e mais seis pessoas. Segundo a ex-ministra, o jatinho havia sido emprestado à campanha e o partido se comprometera a fazer o pagamento de todas as horas de voo após as eleições.

Marina também afirmou que é preciso esperar o fim das investigações iniciadas pela Polícia Federal “para que não se cometa uma injustiça com a memória de Eduardo”. “Neste momento, o meu maior interesse é que tenhamos todos os esclarecimentos”, disse em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo.

A candidata defendeu que o possível uso de empresários como laranjas para a compra da aeronave seja investigado com rigor. Marina afirmou ter “compromisso com a verdade” e esperar que as investigações da PF esclareçam o caso. Questionada se o fato de declarar desconhecimento sobre o caso contraria seu discurso de rigor ético, Marina negou. “Não uso dois pesos e duas medidas. A métrica que uso com meus adversários é a mesma que uso comigo”, afirmou, ao argumentar que não pretende “tangenciar ou se livrar do problema” e sim enfrentar para que a sociedade possa ter acesso a todas as informações envolvendo o caso.

Pouco antes da entrevista, o Jornal Nacional exibiu reportagem que mostrou evidências do suposto uso de empresas de fachada para viabilizar o financiamento do jatinho, usado por Campos na atual campanha. A reportagem trouxe imagens tanto de Campos como de Marina utilizando a aeronave.

A explicação dada por Marina é a mesma fornecida pelo PSB. Na última terça-feira, o partido afirmou em nota que o Cessna Citation 560 XLS havia sido cedido para a campanha por dois empresários pernambucanos. Até ser confrontada pelos apresentadores do JN, Marina se recusava a responder a perguntas sobre o caso. Quando questionada, passava a palavra para o vice, Beto Albuquerque. 

Acre. Marina também foi questionada sobre por que ficou em terceiro lugar nas eleições de 2010 no seu Estado natal, o Acre. “É muito difícil ser profeta em sua própria terra”, disse. Marina recorreu a sua trajetória pessoal para justificar a posição que alcançou, ficando atrás de José Serra (PSDB) e de Dilma Rousseff (PT). Ela destacou ter iniciado sua trajetória aos 17 anos, ter convivido com o ativista ambiental Chico Mendes, e ter lutado por causas em defesa de indígenas e seringueiros. “Na minha vida nunca é fácil”, afirmou a candidata do PSB, sugerindo que a apresentadora Patrícia Poeta não conhecia sua trajetória de vida.

Ela argumentou ainda que não conquistou a aprovação em seu berço político por ter defendido posições e contrariado interesses locais. Para exemplificar, citou seu trabalho como ministra do Meio Ambiente, quando exigiu que a construção de uma estrada no Acre fosse liberada apenas com todas as certificações ambientais aprovadas. “Cheguei a ficar quatro anos sem poder andar na metade do meu Estado”, disse, em relação a ter contrariado interesses no caso dessa obra. “Não podia trocar o futuro das próximas gerações pelas eleições.” 

A candidata disse também que essa é uma postura que pretende manter, caso eleita presidente. Ressaltou que, por isso, assumiu o compromisso de não concorrer à reeleição.

A média do Ibope do telejornal de ontem foi 19 pontos. 

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