Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Márcio França começa a montar governo pós-tucano

Vice deve abrir espaço no Palácio dos Bandeirantes a partidos que hoje não compõem o governo; PR pode levar Transportes

Adriana Ferraz e Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

19 Fevereiro 2018 | 03h00

A um mês e meio de assumir o cargo de governador de São Paulo, Márcio França (PSB), atual vice de Geraldo Alckmin (PSDB), já começa a montar a equipe interina que comandará as 25 secretarias estaduais até dezembro. Com a provável desincompatibilização do tucano no dia 7 de abril para a disputa presidencial, França planeja abrir as portas do Bandeirantes a partidos hoje distantes do Palácio, como PR e PROS – que já anunciaram apoio à sua reeleição –, e até a legendas que carregam bandeiras de esquerda, a exemplo do PDT e do PCdoB.

A chegada dos novos aliados deve movimentar a composição da máquina estadual. O governo tucano é sustentado por seis partidos, além do PSDB e do PSB – França acumula o cargo de vice e secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação. O PR, por exemplo, deve ser convidado a comandar a pasta de Logística e Transportes, hoje sob a gestão de Laurence Casagrande, aliado de Saulo de Castro, atual secretário de Governo e um dos homens de confiança de Alckmin.

 

Logística e Transportes foi pleiteada pelo PR ano passado, mas Saulo, que comandou a pasta entre 2011 e 2014, venceu a queda de braço partidária e indicou Laurence para o cargo. A secretaria, por meio da Dersa, é a responsável por algumas das principais obras do Estado, como a construção do Rodoanel e a nova Tamoios. Além de recursos, ainda tem força política por operar obras rodoviárias em todo o Estado. 

Na pasta do Emprego e Relações do Trabalho, já sob influência do Solidariedade, o que deve mudar não é o secretário – José Luiz Ribeiro –, mas o orçamento. A pedido do presidente nacional da sigla, deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, França estuda aumentar a fatia de recursos destinada a custear cursos profissionalizantes no Estado. 

Leia mais - 'Há espaço para duas candidaturas de Alckmin em SP', diz Aníbal 

“O Márcio é outro nível na área social e essa pasta (Trabalho) foi bem desmontada nos últimos anos. No governo Márcio pode ser melhorada pela questão social, porque isso é destaque na atuação dele”, disse Paulinho. O Solidariedade ainda pode levar a pasta de Turismo.

Presidente estadual do PROS, terceiro partido a declarar apoio oficial a França, o vereador paulistano Ricardo Teixeira afirma que a posição de seu partido não prevê participação no governo como contrapartida. “Nosso namoro com o PSB vem desde o ano passado e é explicado pela nossa estratégia eleitoral. Precisamos crescer no Estado e para isso temos de nos aliar a um partido médio, um pouco só maior que o nosso, como o PSB. Se escolhêssemos um partido grande iríamos sumir, especialmente por causa da reforma política (e a aprovação da cláusula de barreira)”, diz. “Mas é claro que podemos conversar a respeito.”

França diz que as negociações para formação de governo ainda não começaram. “Nenhum apoio que fechamos teve essa exigência, mas é natural que os partidos queiram participar da gestão.”

Aliado a bandeiras de esquerda, o PCdoB tem conversado com o vice-governador de olho das eleições de outubro. Presidente da sigla em São Paulo, o deputado federal Orlando Silva tem comandado essa aproximação. Outros partidos que namoram o atual vice são o PV e o PPS, que já participam do governo. O PSC também abriu um canal com o atual vice de olho nas eleições (leia mais abaixo).

Leia mais - 'Alienação eleitoral é alta no Brasil mesmo com voto obrigatório'

Continuidade. Para não passar a imagem de ruptura, o plano é dar à gestão França uma marca de continuidade. O futuro governador pretende substituir o secretariado aos poucos, começando pelos nomes que sairão de forma voluntária, seja para compor a equipe de campanha de Alckmin seja para disputar um cargo eletivo em outubro. 

Rodrigo Garcia (DEM), enquadrado nesse segundo grupo, foi o primeiro da fila: exonerado a pedido, o então secretário estadual de Habitação já reassumiu sua cadeira na Câmara dos Deputados na semana passada. O parlamentar também tem se colocado como pré-candidato ao governo estadual.

Outros que necessariamente vão sair do governo em abril são os secretários da Agricultura e Abastecimento, Arnaldo Jardim (PPS); de Desenvolvimento Social, Floriano Pesaro (PSDB) – também pré-candidato –; e o responsável pela Casa Civil, Samuel Moreira (PSDB). Todos são deputados federais.

Alckmin teria pedido a França para manter alguns quadros técnicos, como Mágino Alves, secretário da Segurança Pública, Lourival Gomes, da Administração Penitenciária; e Benedito Braga, de Saneamento. As áreas são consideradas essenciais para o governador, que, durante a eleição, não pode correr o risco de ver seus programas desfeitos ou suas estatísticas, desmentidas.

Leia mais - Pré-candidatos criam 'carimbo' fake news 

VICE ANUNCIA HOJE APOIO DO PSC E 18 MINUTOS DE TV

Vice-governador de São Paulo e pré-candidato à reeleição, Márcio França (PSB) anuncia nesta segunda-feira o apoio oficial à sua campanha do PSC, quarto partido a compor a aliança. Os demais são o PR, Solidariedade e PROS. Com a adesão do PSC ao projeto de França, o vice calcula ter, até o momento, o maior tempo de TV já assegurado: mais de 18 minutos por dia. Essa conclusão parte do princípio de que as legendas com maior tempo hoje – PT e MDB, que dispõem de cerca de 11 minutos, respectivamente, segundo ele –, não estarão juntas na campanha e que outros partidos anunciarão apoio, como o PV, o PPS, o PCdoB e o PHS.

O candidato do PT deve ser o ex-prefeito de São Bernardo Luiz Marinho e do MDB, caso tenha candidato próprio, Paulo Skaf. França não projeta, no entanto, uma aliança do MDB com o PSDB, que tem 8 minutos e trinta segundos. Nem a possibilidade de o DEM e o PSD entrarem nessa possível chapa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.