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Manuela D'Ávila diz que, se chegar à Presidência, vai propor revogação da reforma trabalhista

Pré-candidata do PC do B, a deputada estadual rechaçou ser candidata a vice-presidente de Lula

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

17 Novembro 2017 | 19h29

BRASÍLIA - Lançada pré-candidata do PC do B à Presidência da República em 2018, a deputada estadual gaúcha Manuela D’Ávila, 36 anos, disse nesta sexta-feira que, caso seja eleita, vai propor um referendo para revogação da reforma trabalhista aprovada pelo governo do presidente Michel Temer. Em discurso durante o 14ª Congresso do partido, ela também afirmou que as eleições do próximo ano não podem ser um debate sobre o passado e que a solução para a crise não virá de um outsider da política.

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“Acreditamos que o golpe encerra um ciclo político no País. Por isso, para nós, 2018 não pode ser um momento de debate sobre o passado, mas um momento de construção de saídas e de debate sobre o futuro do País”, declarou Manuela. “Não existem candidaturas outsideres. A saída é política. Por isso, defendemos uma frente ampla”, acrescentou a parlamentar gaúcha.

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No discurso, a deputada defendeu uma nova política de juros, câmbio e inflação voltadas para o desenvolvimento do País, e não dos interesses do rebatismo. Também pregou uma nova política industrial de substituição de importações, principalmente nos setores do petróleo, gás, químico e até do agronegócio. “Devemos pensar em um grande plano de obras públicas nas áreas de infraestrutura e morado”, acrescentou.

LULA

A deputada estadual rechaçou ser candidata a vice-presidente em uma eventual chapa encabeçada pelo ex-presidente Luiz Inacio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2018. Segundo ela, ninguém lança candidatura a presidente da República para ser vice.

“Ninguém se lança candidato ou o partido não lança candidato à Presidência para ser vice. Lançamos candidatura para eu ser candidata a presidente da República”, declarou Manuela.

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Manuela disse que sua candidatura foi lançada partindo do pressuposto que Lula será candidato em 2018, mesmo após o petista ter sido condenado pelo juiz Sério Moro no âmbito da Operação Lava Jato. “Essa é a terceira vez que o PC do B lança uma pré-candidatura. Então, a prova de que nossas candidaturas são colocadas a partir dos problemas do Brasil”.

A parlamentar disse que sua candidatura busca discutir soluções para o País sair da crise. Ela ressaltou que, quando dirigentes do partido falam em uma frente ampla para as eleições, estão querendo propor apenas em debate sobre essas soluções e não só com partidos de esquerda, mas de “todos os setores da sociedade”.

Evitando citar pré-candidatos de outras legendas, Manuela criticou “profetas do ódio” que se apresentam como candidatos. “As pessoas vão querer propostas e não teclas agravam a crise”, disse. Para ela, quando os debates eleitorais começarem a acontecer, a tendência é de “derretimento” dessas candidaturas.

Em discurso antes de Manuela, a presidente nacional do PC do B, deputada federal Luciana Santos (PE), defendeu a candidatura própria do partido em 2018, mas fez questão de fazer afagos ao PT. Ao mesmo tempo em que disse que sua legenda “entrou para valer” nas eleições do próximo ano, Luciana defendeu a possibilidade de Lula ser candidato ao Palácio do Planalto. Para a dirigente, a exclusão do petista da disputa do próximo ano “seria a consolidação do golpe”.

“Lula será amigo do PC do B, assim como também Ciro”, declarou Luciana, em referência ao ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional Ciro Gomes (CE), que já se lançou como pré-candidato pelo PDT a presidente da República no próximo ano. Ciro é esperado em ato político que acontecerá neste sábado durante o Congresso dos comunistas. “O PC do B não será obstáculo para a unidade”, acrescentou Luciana.

Em seu discurso, a dirigente fez críticas à gestão da ex-presidente Dilma Rousseff, da qual o PC do B participou. Na avaliação de Luciana, o governo Dilma errou ao “subestimar” a questão nacional e ao não fazer as reformas necessárias para alterar a superestrutura do Estado brasileiro, entre elas, citou: a reforma política, dos meios de comunicação e tributária. “Ousamos pouco na política cambial”, acrescentou, ressaltando que esse erro prejudicou a indústria nacional.

A presidente do PC do B defendeu que o partido não deve se guiar pelo “saudosismo” nem pelo “autoflagelo” em relação aos erros cometidos pelos governos do PT. “Devemos beber na fonte desse legado”, disse. “O PC do B buscará protagonismo nesta disputa”, acrescentou a dirigente. Para ela, a sigla deve aproveitar a pré-candidatura de Manuela para aumentar as filiações ao partido.

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