ED FERREIRA/ESTADAO
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Mantega é hostilizado ao acompanhar sua mulher em hospital

Ex-ministro foi reconhecido ao chegar ao Hospital Albert Einstein; ele estava acompanhando a mulher, a psicanalista Eliane Berger, que vem se submetendo a tratamentos contra um câncer desde que a doença foi diagnosticada, em 2012

Roldão Arruda e Ligia Formenti , O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 18h48

Atualizado em 25.02

O ex-ministro da Fazenda e presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, Guido Mantega, enfrentou uma situação constrangedora na tarde da última quinta-feira, 19, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Reconhecido no salão onde fica a lanchonete, ele foi alvo de insultos. Num vídeo gravado e divulgado pelo YouTube, é possível ouvir alguém gritar “vai para o SUS”. Também é nítida na gravação a expressão “filho da puta”. Em poucos minutos o ex-ministro deixou a área da lanchonete.

Mantega estava acompanhando a mulher, a psicanalista Eliane Berger. Ela vem se submetendo a tratamentos contra um câncer desde que a doença foi diagnosticada, em 2012.

O ex-ministro também aproveitou a ida ao hospital para visitar um amigo jornalista, que estava internado na UTI. 

Com a divulgação do vídeo, o que era para ser um episódio da vida particular do ex-ministro acabou se transformando num fato político, com repercussões nas redes sociais. A direção do hospital emitiu uma nota de esclarecimento sobre o caso. Confirmou que Mantega esteve na instituição e lamentou o episódio. “O hospital recebe igualmente a todos, pacientes ou não, rechaça qualquer atitude de intolerância e lamenta o fato ocorrido em seu ambiente.”

Em nota divulgada nesta quarta-feira, 25, Mantega falou sobre sua "indignação" com o fato e negou que tenha sido expulso do hospital. O ex-ministro disse ainda que as palavras dirigidas a ele foram "isoladas". "O que houve foi uma agressão verbal de uma senhora visivelmente exaltada na cafeteria do Einstein, junto com manifestações isoladas de algumas pessoas que assistiam à cena. A senhora logo se retirou e eu e minha mulher, Eliane Berger, fizemos a visita ao amigo, como estava previsto", escreveu.

Veja o momento em que Mantega é hostilizado:

 

A assessoria de imprensa também garantiu que os médicos do hospital não participaram do episódio. 

Acirramento. Na avaliação de dois cientistas políticos ouvidos pelo Estado, o caso reflete um preocupante estado de animosidade política que estaria se instalando no País. Os dois condenaram os xingamentos.

“Estamos vivendo um momento de acirramento do debate político, decorrente de um processo eleitoral que terminou mas parece continuar”, disse Marco Antonio Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas. “Estamos vendo um grau de hostilidade que só parece aumentar - o que é ruim para o debate de ideias. Também considero ruim o fato de se associar ao PT tudo que tem vindo a público, do mensalão à Operação Lava Jato, num processo irracional, que impede a análise aprofundada dos problemas .”

Para Milton Lahuerta, coordenador do Laboratório de Política e Governo da Unesp, estaria ocorrendo um rápido processo de degradação do debate político no País. “É como se vivêssemos numa sociedade completamente polarizada”, observou. “Em grande parte isso se deve ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que incentivou essa polarização ao se apresentar como aquele que estava inaugurando uma nova era, uma transformação social que, em quatro séculos, não havia ocorrido. Como se fosse possível reduzir toda a luta pela democracia no País a um personagem e a um partido político. Agora estamos vivendo algo muito grave.”

Ao falar sobre o episódio no hospital, Lahuerta observou: “Xingar o ex-ministro num hospital privado, que custa caro, é uma insanidade.” Para Teixeira, a agressão não faz parte do jogo político: “Constranger publicamente alguém é tirar o seu direito de circular livremente".

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