DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

Mantega diz que não atuou como arrecadador de recursos para campanhas

Ex-ministro negou que tenha solicitado a Marcelo Odebrecht contribuição de R$ 50 milhões para corrida eleitoral de Dilma em 2010

Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2018 | 23h57

BRASÍLIA - Em depoimento prestado à Polícia Federal, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega negou que tenha atuado como arrecadador de recursos para campanhas políticas.

+++ TCU quer ouvir Mantega e Arno sobre empréstimos duvidosos a Estados

O termo de depoimento de Mantega, prestado em dezembro do ano passado, foi anexado aos autos de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e apura a prática dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de capitais.

+++ Delator diz que Mantega loteava cargos no Carf

Instaurado no âmbito da delação da Odebrecht, o inquérito investiga suspeitas de vantagens indevidas para a aprovação de medidas provisórias entre 2009 e 2013. São investigados o atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os senadores Romero Jucá (MDB-RR) e Renan Calheiros (MDB-AL), e o deputado federal Lúcio Vieira Lima (MDB-BA).

+++ Morre a mulher do ex-ministro Guido Mantega

Conforme o termo de depoimento, Mantega disse que "não é verdadeira" a fala de Marcelo Odebrecht quando este alega que em um dos encontros que teve com Mantega o ex-ministro da Fazenda teria solicitado a contribuição de R$ 50 milhões para a campanha de Dilma Rousseff (PT) à Presidência da República no ano de 2010.

Mantega afirmou às autoridades que "acredita que Marcelo Odebrecht possa ter inventado essa inverdade para que tivesse aceito um acordo de colaboração premiada que lhe garantisse maiores benefícios".

O ex-ministro da Fazenda ainda contou que a campanha de 2010 de Dilma "terminou com um déficit de aproximadamente R$ 18 milhões, não sendo factível que, se acaso possuísse um crédito de R$ 50 milhões com a Odebrecht, não teria se utilizado destes valores para quitar essa dívida de campanha".

Segundo Mantega, nos encontros mantidos com Odebrecht no ano de 2009, o "executivo não teria oferecido nenhuma contrapartida para o declarante ou para os candidatos do Partido dos Trabalhadores acaso o governo se engajasse em alguma das pautas econômicas de interesse do grupo Odebrecht".

O ex-titular da Fazenda ainda disse que não é "verdadeira a fala de Marcelo Odebrecht" quando alega que Mantega teria solicitado R$ 100 milhões no ano de 2013 visando às eleições de 2014, "ratificando que nunca teria atuado como arrecadador de campanha política".

Acesso

De acordo com Mantega, Odebrecht "não gozava de acesso privilegiado junto ao Ministério da Fazenda para discutir questões afetas às empresas de seu grupo". O ex-ministro também alegou que "inúmeras demandas pretendidas por Marcelo Odebrecht não foram atendidas pelo governo federal".

Procurada pela reportagem, a assessoria da Odebrecht não havia respondido até o fim da noite desta terça-feira, 6.

Influência

De acordo com Mantega, Antonio Palocci não detinha qualquer tipo de influência no Ministério da Fazenda quando Mantega ocupava a pasta.

Durante a gestão de Palocci na Casa Civil, no primeiro mandato de Dilma, ambos possuíam reuniões de trabalho rotineiras, mas a relação entre "ambos nunca foi de proximidade", segundo Mantega.

O ex-ministro da Fazenda não soube dizer à PF se Palocci teria solicitado doação eleitoral para candidatos do PT nas eleições municipais de 2008 ou em qualquer outra eleição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.