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Manifesto de artistas diz que apuração deve obedecer à legalidade

- Atualizado: 22 Março 2016 | 07h 42

Documento assinado por mais de mil profissionais critica o que chama de ‘tomada de partido por setores Judiciário’

Chico Buarque, Milton Hatoum, Bernardo Carvalho, Marcelo Rubens Paiva, Raduan Nassar, Antonio Candido, Gregório Duvivier, Fernando Morais, escritores, editores, livreiros, ilustradores, professores da área de humanidades, revisores e tradutores, num total de 1.251 profissionais, assinaram um manifesto divulgado ontem “contra as ameaças à democracia e às liberdades individuais”.

O manifesto, em defesa do estado democrático de direito no Brasil, se diz contrário também às “listas negras” e “contra as perseguições e boicotes à liberdade de expressão e seus possíveis impactos na livre circulação das ideias”. Critica ainda o que chama de “tomada de partido por setores do Poder Judiciário”.

O texto foi publicado no site de organização de campanhas Avaaz. As assinaturas foram colhidas em grupo de Facebook chamado Escritores e Profissionais do Livro pela Democracia, criado no sábado. A iniciativa veio na esteira da polarização do debate político, por causa dos desdobramentos da Operação Lava Jato, envolvendo a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa era de que o número atingisse cerca de 2 mil assinaturas, segundo um dos organizadores, o livreiro Daniel Louzada, da livraria Leonardo Da Vinci. “A unidade está em torno dos valores democráticos, da preservação do estado de direito no Brasil e da preservação dos direitos fundamentais garantidos na Constituição, ameaçados por posturas crescentemente autoritárias e intolerantes. Em contextos como esses, sabemos, a cultura e o livro são as primeiras vítimas”, disse Louzada.

O texto afirma que não é possível “imaginar a livre circulação de ideias em outra ordem que não seja a da diversidade democrática, gozada de forma crescente nas últimas décadas pela sociedade brasileira, que é cada vez mais leitora e tem cada vez mais acesso à educação”. “Ainda podemos nos recordar facilmente dos tempos obscuros da censura às ideias e aos livros nos 21 anos do regime ditatorial.”

Conforme o documento, a “necessária investigação de toda denúncia de corrupção, envolvendo a quem quer que seja, deve obedecer às premissas da legalidade e do Estado democrático de direito”. O manifesto fala ainda de “violação dos direitos à privacidade, à livre manifestação e à defesa, combinadas à agressividade e intolerância de alguns, e à indesejada tomada de partido por setores do Judiciário”. O texto convoca manifestações de “resistência” em espaços públicos.

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