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HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

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Dilma Rousseff

Manifestações testam peso das ruas na pressão pela saída de Dilma

Atos previstos para este domingo em todo o Brasil deverão ser determinantes para a era petista no governo federal

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12 Março 2016 | 20h22

Um ano após a primeira grande manifestação contra a segunda gestão da presidente Dilma Rousseff, milhares de brasileiros prometem voltar neste domingo, 13, às ruas para pedir o fim da era petista no Palácio do Planalto, iniciada em janeiro de 2003 com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva, que também será um dos alvos dos protestos.

Desde março do ano passado, a presença dos grupos antipetistas e antigovernistas nas ruas têm mantido sob pressão a presidente, o Congresso Nacional, o Judiciário, o Ministério Público e os partidos políticos, além de obrigar as forças favoráveis a Dilma e ao PT a defendê-la em manifestações pró-governo. 

Um ano após primeira grande manifestação (foto) contra a segunda gestão da presidente Dilma, milhares de brasileiros prometem voltar às ruas neste domingo

Desta vez, no entanto, o termômetro do afastamento indica um quadro crítico para a presidente também na esfera da política. O PMDB dá fortes sinais de que pode abandonar a coalização governista e a oposição, titubeante em março de 2015, aderiu de vez à campanha pela queda da petista e neste domingo promete engrossar os protestos nas ruas, ainda que dividida entre a pertinência do afastamento via impeachment no Congresso e a cassação do mandato de Dilma pela Justiça Eleitoral, o que obrigaria a realização de novas eleições. “Com Michel Temer seria mantido o mesmo esquema de poder”, diz o tucano Xico Graziano, do Instituto FHC. 

Outro aspecto importante das manifestações deste domingo é o impacto que elas terão no futuro de Lula, investigado pela Lava Jato. O ex-presidente trava uma intensa luta na opinião pública contra a força-tarefa da operação e o Ministério Público de São Paulo. Ele aguarda o desfecho deste dia para decidir se aceita ou não um cargo no Ministério de Dilma.

“Após lenha na fogueira, Lula sai fortalecido”, diz Celso Marcondes, do instituto mantido pelo ex-presidente petista. Por tudo isso e pelos temores de conflitos de grupos pró e antigoverno, o saldo desta nova rodada de protestos deverá ser determinante para o futuro de Dilma e da era petista no Planalto.

 

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Pela 1ª vez, grupos e partidos de oposição se associam nos atos

MBL e oposicionistas combinaram atuação conjunta em SP; objetivo é ‘criar canal institucional’ com o Congresso

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Pedro Venceslau

12 Março 2016 | 20h00

O acirramento da crise política em Brasília e os desdobramentos da Operação Lava Jato envolvendo diretamente o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criaram no governo e na oposição a expectativa de que as manifestações marcadas para este domingo, 13, igualem ou superem o recorde de público registrado nos quatro grandes protestos anteriores em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff. 

No mais significativo deles, em 15 de março do ano passado, a Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu 210 mil pessoas, conforme o Datafolha – a maior manifestação política registrada no Brasil desde o movimento das Diretas-Já, em 1984. Naquela data, segundo cálculos da Polícia Militar, quase 2 milhões de pessoas foram às ruas em todo o País. Em São Paulo, a PM estimou que 1 milhão de pessoas se reuniram na região da Paulista, dado bastante contestado. 

Os protestos deste domingo estão programados para ocorrer em ao menos 415 cidades brasileiras e outras 23 no exterior, de acordo com monitoramento do Vem Pra Rua e Movimento Brasil Livre (MBL). Pela primeira vez os partidos políticos de oposição no Congresso Nacional se associaram institucionalmente ao evento – e consequentemente ao seu resultado final. 

Representantes do MBL e os líderes partidários combinaram uma atuação conjunta na capital paulista para mostrar afinidade. “Nosso objetivo é criar um canal institucional direto entre o Congresso, onde a decisão do impeachment será tomada, e a rua. A delação do senador Delcídio Amaral e a condução coercitiva do Lula esquentaram muito o clima”, disse Renan Santos, um dos coordenadores do MBL. 

Além de abrir seu palanque para os políticos, o grupo montou um comitê integrado e organizou uma entrevista coletiva ao lado dos parlamentares. Deputados e senadores vão se reunir em um hotel e caminharão juntos até a Avenida Paulista.

Passarão primeiro pelo caminhão do Vem Pra Rua, onde discursarão do chão, e, em seguida, caminharão até o espaço reservado ao MBL. “Não pode haver preconceito em relação aos políticos. As duas partes precisam agir de forma integrada”, diz o deputado Mendonça Filho (DEM-PE), líder da oposição no Congresso e coordenador do comitê integrado. 

Os governistas, por sua vez, tentam minimizar um eventual recorde de público. “Essa manifestação por si só não tem condições de derrubar a presidente legitimamente eleita”, afirma o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), um dos vice-líderes do governo na Câmara. 

Bandeiras. Os grupos responsáveis pela organização dos atos deste domingo e os partidos políticos unificaram as palavras e ordem e não incluíram nelas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi alvo de um pedido de prisão por parte do Ministério Público de São Paulo. 

“A prisão do Lula será uma consequência e não deve ser uma bandeira. Não faz sentido incluí-lo nas palavras de ordem”, disse o ex-deputado José Aníbal, presidente do Instituto Teotônio Vilela, organismo ligado ao PSDB nacional. 

Isso não significa, porém, que Lula será poupado. “O Lula não será bem tratado, mas ele não será o foco central, e sim o impeachment da Dilma”, afirmou Renan Santos, do MBL. 

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