Jefferson Rudy|Agência Senado
Jefferson Rudy|Agência Senado

'Manifestação de Mesa não se confronta com o Supremo', diz Viana

Vice-presidente da Casa se refere a repúdio da Mesa à decisão de afastar peemedebista

Erich Decat, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2016 | 18h52

BRASÍLIA - O vice-presidente do Senado, Jorge Viana (PT-AC), considerou no final da tarde desta terça-feira, 6, que o posicionamento de integrantes da Mesa Diretora da Casa em não aceitar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de afastar o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado não é uma afronta à Corte.

O petista foi um dos que assinaram o documento da cúpula do Senado que decidiu aguardar decisão do plenário do Supremo para só então considerar Renan afastado da Casa. O posicionamento da Mesa ocorreu após o ministro do STF, Marco Aurélio Mello, ter determinado na segunda-feira, 5, por meio de liminar, a saída do peemedebista do comando da Casa.

“A manifestação de Mesa não se confronta com o Supremo. Ela é uma manifestação que inclusive pede prazo para o presidente Renan, para ele se manifestar. E a principal manifestação da Mesa, a que assinei, pede para aguardar a decisão do pleno do Supremo. Eu acho que isso é o que deve prevalecer”, afirmou Viana.

O julgamento sobre a permanência de Renan na presidência do Senado foi incluído na pauta do Supremo desta quarta. “Temos que aguardar decisão do pleno de amanhã. Fico torcendo para que depois da decisão não tenha mais uma crise, mas a decisão é do Supremo e não podemos discutir isso”, considerou.

“Estive no Supremo. Acho que na posição que estou, tenho de estar sempre no diálogo. Numa hora dessas, precisa se conversar. Conversei com os ministros”, afirmou.

Antes de revelar a ida ao STF, o petista ressaltou que conhecia o entendimento da presidente da Corte, Cármen Lúcia, a respeito de toda a crise institucional gerada a partir da liminar aceita por Marco Aurélio. “Acho que o País não suporta mais uma outra crise. Sei da intenção da ministra Cármen Lúcia. Ela está muito sensível. O próprio ministro Marco Aurélio por ter colocado na pauta de amanhã já é um gesto importante para o País”, ressaltou o senador.

Questionado se irá manter a agenda de votações previstas para os próximos dias, Viana, lembrou que as atividades na Casa também são conduzidas em acordo com líderes das bancadas. “Sou de um partido que foi vítima de um processo político. Não estou considerando nisso neste momento. Nós temos uma discordância enorme com essa agenda com essa pauta que está colocada, mas ela é resultado de um acordo de lideres.”

Entre os temas que são motivos de divergência está a chamada PEC do Teto que estabelece limites de gastos públicos. A proposta é a principal aposta do governo Temer para tentar equilibrar as contas públicas e sofre forte oposição do PT. No calendário discutido com os líderes partidários, ela consta na pauta de votação do plenário da próxima terça-feira, 13. 

 

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