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Maluf elogia Alckmin e diz apoiar tucano à Presidência em 2018

Em evento em São Paulo, governador comentou depoimento de Lula: ‘Quem foi presidente tem mais explicações a dar’

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Francisco Carlos de Assis,
O Estado de S.Paulo

08 Março 2016 | 07h39

Afirmando que três anos na atual situação da política brasileira equivalem “a três séculos”, o governador Geraldo Alckmin desconversou ontem, quando questionado sobre o que achou de o deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) ter “lançado” seu nome para a disputa presidencial em 2018.

Ao lado do governador e de demais autoridades que participaram de evento na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Maluf fez vários elogios a Alckmin e o encorajou a se candidatar à Presidência nas próximas eleições. “Primeiro que 2018, três anos, com a situação política brasileira, são três séculos. Fica muito longe”, desconversou o governador.

“Ninguém que é governador de São Paulo pode dizer que não é candidato a presidente”, disse Maluf, se dirigindo a Alckmin. Segundo o deputado, o governador, desde novo, sempre foi comprometido com a causa pública e nunca pediu nada a ele, quando governador de São Paulo, que fosse para favorecimento pessoal. “Neste momento por que passa o Brasil, São Paulo é um oásis de honestidade”, afirmou Maluf, acrescentando que pede a Deus que dê a Alckmin chances de galgar patamares maiores na política.

Maluf foi condenado a três anos de prisão na semana passada, pela Justiça da França, por lavagem de dinheiro de 1996 a 2005. A sentença incluiu ainda o confisco de 1,8 milhão de euros de contas da sua família. A suspeita é de que o dinheiro tenha sido fruto de desvios de obras viárias em São Paulo.

Prévias. As prévias do PSDB, de acordo com Alckmin, não dividem o partido, apenas servem para escolher os candidatos e dar espaço a novas lideranças. “Você sempre tem que escolher entre vários. Só que uma escolha mais ampla permite uma participação maior. Veja este ‘Super Saturday’ americano, coisa fantástica. No Partido Republicano, Ted Cruz; no Democratas, (Bernie) Sanders. Eles não teriam oportunidade de expor as suas ideias se não fosse a primária. Ela é que permite que novas lideranças possam expor as suas ideias”, disse Alckmin.

Alckmin tem criticado a tradição tucana de escolher de cima para baixo os candidatos. Ele apoia o empresário João Doria, que disputa a candidatura do partido para a Prefeitura com o vereador Andrea Matarazzo, apoiado por lideranças históricas do partido como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o senador José Serra.

O governador afirmou que a tensão na disputa é “natural” nesses processos de escolha. Nesta segunda-feira, o Estado mostrou que Matarazzo decidiu apelar para a Justiça comum para impugnar a candidatura de Doria. O empresário é acusado de comprar votos no primeiro turno das prévias e já enfrenta um pedido de impugnação dentro do partido.

“Sempre que se têm prévias, tem disputa. Mas eu não tenho dúvida de que, encerrado este período, vamos estar todos juntos. A unidade é maior que a divergência” afirmou o tucano.

Lava Jato. Alckmin evitou tomar partido no debate sobre se houve ou não abuso na condução coercitiva a que foi submetido na sexta-feira passada o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na 24.ª fase da Operação Lava Jato. O governador, no entanto, afirmou que “todos são iguais perante a lei”, mas “quem foi presidente tem mais explicações a dar à população”.

“Não sou jurista e especialista em Direito, mas entendo que todos são iguais perante a lei. O que caracteriza a República é a igualdade dos cidadãos perante a lei. Não tem diferença”, disse o governador tucano.

“Pelo contrário. Quanto mais alta a responsabilidade, maior o dever. Aquele que foi governador, presidente e prefeito tem mais responsabilidade. Ele tem mais explicações a dar à população”, avaliou. Para o governador, a crise política é uma oportunidade para o fortalecimento da democracia no País. “O Brasil precisa sair ainda mais fortalecido. O País precisa ter suas instituições fortes com a polícia e o Ministério Público cumprindo o papel da investigação e o Judiciário julgando”, declarou o tucano ontem.

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