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Maluf anuncia apoio a Padilha e tenta manter cargos no governo Alckmin

Pedro Venceslau e Ricardo Chapola - O Estado de S. Paulo

30 Maio 2014 | 22h 18

Ex-prefeito protagoniza festa da união do PP com o PT no Estado, elogia Dilma Rousseff e diz que, agora, o pré-candidato da aliança terá mais tempo de TV "que as Casas Bahia"; tucanos afirmam que vão desalojar partido da administração

Clayton de Souza/Estadão
CTAU11 SÃO PAULO SP 30/05/2014 MALUF / PADILHA O deputado Paulo Maluf e Alexandre Padilha , pré candidato ao governo do Estado de São Paulo pelo PT , durante ato na Assembléia Legislativa . O Ato formaliza o apoio do PP de Maluf ao candidato do PT . FOTO: CLAYTON DE SOUZA/ESTADÃO

O ex-prefeito de São Paulo e deputado federal Paulo Maluf organizou ontem um ato político com direito a fotografia e claque organizada para anunciar o apoio de seu partido, o PP, à pré-candidatura do petista Alexandre Padilha ao governo do Estado. Apesar de embarcar no projeto petista, Maluf vai tentar manter aliados no governo Geraldo Alckmin (PSDB) - ele dispõe de cargos na Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU). 

O evento, que foi realizado em um plenário lotado na Assembleia Legislativa, foi uma exigência de Maluf na longa negociação que teve com o PT. O partido tentou evitar o constrangimento, mas acabou cedendo.

Além de ter sido combatido pelos petistas no passado, o aliado está na lista dos nomes mais procurado pela Interpol (Polícia Internacional) sob suspeita de lavagem de dinheiro. 

Maluf esperava repetir a cena de 2012, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou-se fotografar ao lado dele no dia do anúncio do apoio do PP à candidatura de Fernando Haddad à Prefeitura. Dessa vez, porém, Lula não apareceu. Se quiserem, eu com vocês até o Instituto Lula para fazer a foto”, brincou o deputado do PP, que preside a sigla no Estado.

O anúncio ampliou a pressão sobre os tucanos para que selem um acordo com PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab. Sem o apoio da sigla, que também negocia com o empresário Paulo Skaf, pré-candidato do PMDB ao governo paulista, Alckmin, que disputará a reeleição, terá 44 segundos a menos de tempo de TV do que Padilha. Graças ao apoio de Maluf, o petista conta hoje com 6min28s, se contabilizados os acordos já firmados, mas ainda não anunciados, contra 5min44s de Alckmin. Com o PSD de Kassab, o governador terá 7min21s de tempo de TV.

Empolgado. Assim que chegaram à Assembleia, Maluf e Padilha, que é ex-ministro da Saúde, ergueram juntos as mãos e o ex-prefeito bradou: “Viva Dilma, Viva Padilha”. Em seu discurso, Maluf escancarou o objeto central da negociação ao dizer que o tempo de TV de Padilha será “maior do que o das Casas Bahia, Petrobrás e Caixa”. 

Emidio de Souza, presidente do PT paulista, aproveitou para provocar os tucanos. “Aqueles que até esta madrugada disputavam o apoio do PP serão os primeiros a atacar essa aliança.” 

Apesar do anúncio, Maluf se recusou a dizer se o seu partido deixará os cargos que ocupa no governo Alckmin. O partido comanda a Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU) desde maio de 2011. 

“Se temos alguns amigos no governo federal, no governo estadual ou na prefeitura é porque são competentes, antes de serem do PP”, disse Maluf. Repetida a questão se, a partir do momento de campanha, o PP manteria suas posições dentro do governo Alckmin, apesar de apoiar o candidato petista, Maluf chamou de “coincidência feliz” o PP ter quadros em diversos governos. “São competentes e são do PP, é uma coincidência feliz. Segundo Jesse Ribeiro, secretário-geral do PP em São Paulo, o partido não tomará a iniciativa de deixar os cargos na CDHU. “Quando (o governador) quiser os cargos de volta, ele que solicite”, afirmou o dirigente. 

Depois do evento de ontem, os tucanos passaram a cobrar de Alckmin a exoneração dos pepistas. “Não é sensato eles ficarem no cargo”, afirmou o deputado Duarte Nogueira, presidente do PSDB-SP. Segundo um membro do primeiro escalão do Palácio dos Bandeirantes, a saída dos representantes do PP do governo acontecerá em breve, mas “com calma, elegância e um certo tempo”. Pelos cálculos do governo Alckmin, o PP ocupa pelo menos quatro cargos-chave na administração estadual. 

Constrangimento. Padilha disse ontem estar superado o constrangimento em relação à aliança com o PP de Maluf. Em relação à polêmica foto de apoio a Haddad na campanha pela Prefeitura, há dois anos, Padilha disse que “são situações diferentes”. / COLABOROU ANA FERNANDES