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Maioria absoluta não está nem aí para a eleição

20 Março 2014 | 17h 53

A consistente vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre seus adversários se sustenta, entre outros motivos, porque a maioria absoluta dos eleitores (56%) tem pouco ou nenhum interesse pelas eleições. O voto ainda é um assunto que excita apenas políticos e politicólogos. Os únicos que tomaram gosto pela eleição nas últimas semanas foram especuladores do mercado financeiro, que passaram a ganhar dinheiro com boatos falsos sobre pesquisas.

Como o interesse pelas eleições não aumentou desde novembro, os candidatos menos conhecidos seguem com dificuldades para ser uma opção real para os eleitores. Menos brasileiros dizem saber quem é Eduardo Campos (PSB) hoje do que em novembro: 28% dizem que não o conhecem o suficiente para opinar, contra 23% que diziam isso no final do ano passado. Ou seja: passado o efeito da fusão do seu PSB com a Rede de Marina Silva, Campos voltou ao ostracismo.

Isso não significa, necessariamente, que se e quando os candidatos de oposição aparecerem mais e se tornarem uma referência para o eleitor sua intenção de voto vai crescer.

As taxas de eleitores que dizem que não votariam de jeito nenhum em Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Campos se equivalem: 38%, 41% e 39%, respectivamente. Se essa proporção se mantiver quando os outros eleitores tomarem conhecimento de suas candidaturas, Aécio e Campos crescerão, mas não o suficiente para ameaçar a liderança de Dilma. Não basta aparecer. É preciso convencer.

Prova disso é que mesmo entre os 64% de eleitores que gostariam que o próximo presidente mudasse tudo ou muita coisa no governo, 27% dizem que querem que essas mudanças sejam feitas pela própria Dilma. É um sinal de que nem Aécio nem Campos conseguiram convencer grande parte do eleitor mudancista de que eles são uma alternativa melhor do que Dilma para mudar o que é preciso.

José Roberto de Toledo é coordenador do Estadão Dados.