Lula volta a criticar TCU e setores que paralisam obras

'As pessoas não têm dimensão do que significa paralisar uma obra, isso tem de mudar', declarou

Tânia Monteiro, da Agência Estado,

23 Outubro 2009 | 10h57

Durante discurso nesta sexta-feira na posse do novo advogado-geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, o presidente Lula voltou a criticar o Tribunal de Contas da União (TCU), sem citar o órgão, e condenou todos os setores que paralisam obras do governo, causando prejuízos ao país. "O Brasil está travado. Não é fácil governar com a poderosa máquina de fiscalização e pequena máquina de execução", afirmou o presidente, ao defender o seu governo que, assegurou, terminará "infinitamente melhor" em comparação com qualquer outro.

 

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O presidente defendeu a criação de uma espécie de câmara de nível superior, que possa decidir rapidamente se a obra pode ou não ficar parada. "Porque senão o país fica atrofiado", disse. "Esse negócio de um remar para frente e cinco remarem para trás não funciona no campo do desenvolvimento da economia", acrescentou.

 

Segundo Lula, "as pessoas não têm dimensão do que significa paralisar uma obra, isso tem de mudar". Ainda no discurso de improviso, ele acrescentou que "quer deixar um legado de harmonização maior entre as instituições".

 

Lula afirmou que, dentro do processo que existe hoje, "uma pessoa dos confins, do quarto escalão resolve e ela tem mais poder que o presidente da República". Em seguida ao desabafo, o presidente citou o episódio de paralisação de uma obra, no qual ela foi suspensa porque uma pedra foi confundida com uma machadinha indígena. "Parou nove meses e depois se viu que era uma pedra comum. Com que direito alguém para uma obra nove meses? Qual o custo disso para o país?", prosseguiu o presidente, dizendo que quem dá uma ordem para parar uma obra não sofre nenhuma punição.

 

Lula avisou que está preparando um "relatório com coisas absurdas", numa referência a casos de obras que foram paradas por cinco, 10 meses e um ano e as pessoas que deram a ordem para parar não sofreram qualquer punição.

 

Ele voltou a defender as viagens dele e de seus ministros pelo Brasil. "Quem engorda o porco é o olho do dono", declarou o presidente. Lula comentou, por exemplo, que, às vezes, pergunta à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se uma determinada obra está pronta e ouve dela que aquela obra nem começou. "Os entraves são demais. O presidente e os ministros têm que estar viajando", disse Lula ao comentar que "parte do pressuposto que todo mundo é desonesto até que se prove o contrário".

 

Ele citou, por exemplo, os problemas enfrentados no setor elétrico, quando tem que se pensar cinco anos à frente, acrescentando que, na verdade, deveria se pensar 10 anos à frente. E ainda assim, acrescentou, há problemas. "Às vezes, prevalece o fundamentalismo e não a discussão técnica".

 

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, também presente à cerimônia, ao final, em entrevista, concordou com a afirmação do presidente de criar um órgão para dirimir problemas de paralisações de obras mais rapidamente. Mas lembrou que, muitas vezes, o problema ocorre dentro do próprio governo. "A bola está com o Legislativo e com o Executivo", disse.

 

Sobre as críticas feitas às viagens do presidente Lula e da ministra Dilma Rousseff e da defesa feita por Lula, em seu discurso, da necessidade de fiscalizar as obras, Gilmar Mendes respondeu: "não tem problema viajar para fiscalizar. O problema é fazer campanha. Eu viajo muito e não faço campanha".

 

 

 

 

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