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EFE

Lula minimiza desembarque do PMDB e diz que vai tentar 'coalizão' com sigla

Ex-presidente disse que vê com 'muita tristeza' a possibilidade de o PMDB deixar a atual gestão federal

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Ana Fernandes e Ricardo Galhardo,
O Estado de S. Paulo

28 Março 2016 | 15h42

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que embarca para Brasília nesta segunda-feira, 28, afirmou mais cedo, em entrevista coletiva à imprensa internacional, que pretende conversar com interlocutores do PMDB para tentar contornar o desembarque da legenda do governo Dilma Rousseff, em reunião de sua executiva, marcada para terça-feira, 29. em logo mais.

O petista disse que vê com "muita tristeza" a possibilidade de o PMDB deixar a atual gestão federal, mas relativizou o impacto dessa possibilidade, dizendo que é possível "haver uma espécie de coalizão", sem a concordância das pessoas da direção, evidenciando a possibilidade de tentar buscar apoio na base da sigla.

A previsão é de que seu voo saia às 16 horas. Ele irá acompanhado do presidente do PT, Rui Falcão. "Vou para Brasília conversar com muita gente do PMDB", disse o presidente, segundo jornalistas que participaram da entrevista, destacando que pretende conversar também com o vice-presidente da República, Michel Temer.

Ainda segundo esses jornalistas, o ex-presidente disse conhecer "bem" o PMDB e falou que haveria uma espécie de reedição de 2003, quando este partido integrou sua gestão na Presidência da República. Lula lembrou que o PMDB tem autonomia regional, destacando "a gente nunca teve todo o PMDB".

'Mosca azul'. Em coletiva à imprensa internacional, nesta manhã, o ex-presidente Lula disse que o juiz Sérgio Moro é uma pessoa "inteligente e competente", mas "foi picado pela mosca azul". O petista disse que não está longe o dia em que irão pedir desculpas a ele, segundo relato de jornalistas que participaram da entrevista.

Ao comentar a divulgação dos áudios dos grampos, Lula classificou de "deprimente, pobre e de má-fé".

Sobre as manifestações contrárias ao governo, o ex-presidente falou que pessoas que "enchem pixuleco" nunca votaram no PT e acusou a mídia de estar levando o Brasil a um clima semelhante ao da Venezuela. Na avaliação de Lula, segundo informações dos jornalistas estrangeiros, os pobres poderão ser os salvadores da pátria.

Lula disse também, a exemplo do que afirmou a presidente Dilma Rousseff para a imprensa internacional, na semana passada, que impeachment sem base legal é golpe. "É importante não brincar com a democracia". Segundo o petista, estão usando "falsos argumentos" para encurtar o mandato de Dilma.

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