Lula manda mensagem de solidariedade a filha de Garotinho, diz blog do ex-governador

Site mostra foto da mensagem eletrônica em que o ex-presidente diz considerar a decisão arbirária; Garotinho foi preso na quarta-feira por compra de votos

Caio Rinaldi, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 18h10

Filha do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, preso na quarta-feira, 14, pela Polícia Federal, e deputada federal pelo PRB do Rio de Janeiro, Clarissa Garotinho disse que recebeu uma mensagem de solidariedade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com ela, Lula teria considerado a decisão arbitrária.

A Justiça condenou Garotinho por compra de votos e determinou que ele cumpra prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, proibindo-o de usar telefones celulares e restringindo o contato apenas a familiares próximos.

"Além das circunstâncias desrespeitosas em que se deu a prisão do ex-governador, a proibição de dar entrevistas e utilizar os meios de comunicação denota, claramente, o objetivo de silenciar uma liderança política de expressão", disse a mensagem eletrônica assinada Lula, que na quarta-feira também esteve na Justiça Federal, em depoimento ao juiz Sérgio Moro, na ação penal que investiga suposto recebimento de propina da Odebrecht. Para o ex-presidente, setores do sistema judicial brasileiro têm atuado de forma político-partidária de maneira "cada vez mais frequente", o que, em suas palavras, fragiliza a democracia e ofende o estado de direito.

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A mensagem de Lula foi publicada por Clarissa Garotinho no blog de seu pai. A deputada federal relatou que vem recebendo muitos telefonemas e mensagens de apoio e agradeceu em especial as palavras de Lula. "Todos sabem da minha divergência política com ele e é público que passei boa parte da minha juventude em manifestações contra atos do governo dele", escreveu Clarissa. "Isso mostra que a luta pelas garantias do Estado Democrático de Direito ultrapassa as divergências políticas."

Na declaração, Clarissa condena a maneira com que foi conduzida a operação que levou o ex-governador do Rio à Polícia Federal, antes de ele ser recolhido ao seu domicílio, em Campos dos Goytacazes. "O fato de tirar um comunicador, líder de audiência, no meio do seu programa de rádio, para transformar uma decisão judicial em um espetáculo, e ainda a decisão de proibi-lo de dar entrevistas, escrever artigos e se manifestar publicamente de qualquer forma e sobre qualquer fato, tem chamado a atenção até mesmo de juristas e de jornalistas!", afirmou a parlamentar.

Anthony Garotinho ainda responde a outro processo, em que foi condenado em primeira instância à prisão em regime fechado por corrupção eleitoral, associação criminosa e supressão de documentos públicos. A determinação, entretanto, ainda precisa ser ratificada em segunda instância para que o ex-governador do Rio seja conduzido ao cárcere privado. 

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