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Andressa Anholete|AFP

Lula liga para ministros, mas ainda resiste a assumir ministério

Os argumentos do ex-presidente têm sido na linha de que ele pode ajudar o governo sem ter um cargo, 'com mais liberdade'

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Carla Araújo,
O Estado de S. Paulo

11 Março 2016 | 12h42

Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma série de telefonemas na manhã desta sexta-feira, 11, para ministros e "pessoas ligadas ao entorno" da presidente Dilma Rousseff e ainda mostrou resistência em assumir um posto no governo. Segundo fontes do Planalto, os argumentos do ex-presidente têm sido na linha de que ele pode ajudar o governo sem ter um cargo, "com mais liberdade", além de evitar o constrangimento de parecer que aceitou uma pasta para se livrar de uma eventual prisão.

Interlocutores da presidente disseram que os ministros petistas - Jaques Wagner (Casa Civil), Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) e Edinho Silva (Secretaria de Comunicação) - já se dispuseram a abrir mão dos seus cargos para que o ex-presidente assuma uma pasta. "Ele (Lula) pode escolher o ministério que quiser que será dele", afirmou uma fonte do Planalto.

A avaliação da ala do Planalto que tenta convencer o ex-presidente a assumir um cargo é que o governo precisa da "habilidade política" de Lula para tentar salvar o mandato da presidente Dilma e não deixar naufragar o projeto de governo do PT.

Apesar de apresentar resistência a assumir um cargo no Planalto, Lula já teria aceitado o papel de articulador informal. "Ele já disse que virá mais a Brasília, que vai ajudar na articulação. Resiste a aceitar ministério, mas prefiro acreditar que não está descartado", afirmou uma fonte do Planalto.

Enfraquecida, Dilma já deu aval para que seu padrinho político escolha uma pasta caso queira. E, apesar de interlocutores do Planalto admitirem que a chegada de Lula pode isolar Dilma, alguns assessores palacianos afirmam que ela deve "pagar logo o preço" da inabilidade política, antes que "custe caro demais". Essa não é a primeira vez que ministros petistas tentam trazer o ex-presidente para o governo. Em julho do ano passado, apesar da ofensiva para tentar convencê-lo a ocupar espaço no governo, Lula resistiu.

Preventiva. Apesar de ter a avaliação de que o pedido de prisão preventiva do ex-presidente assinado por promotores do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) tem um "caráter político, é excessivo e com argumentos frágeis", interlocutores do Planalto preferem cautela sobre a decisão da juíza Maria Priscilla Ernandes Veiga Oliveira, da 4ª Criminal da Justiça.

O argumento para calibrar o discurso é que não se pode ter certeza de nenhuma decisão judicial antes de ela ser tomada. "Ninguém imagina que os promotores pediriam a prisão com argumentos tão frágeis", cita uma fonte.

Para interlocutores da presidente, no entanto, o pedido às vésperas das manifestações contrárias ao governo, marcadas para o próximo domingo, 13, é "estranho" e "tem segundas intenções".

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