Lula faz mea-culpa por ter votado contra Constituição

Na solenidade pelos 20 anos da Carta, ele diz que, na Presidência, compreendeu como ninguém que ela 'é um garante da democracia'

João Domingos e Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

06 Novembro 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem mais um mea-culpa a respeito do comportamento do PT na Assembléia Nacional Constituinte, durante cerimônia realizada no Congresso pelos 20 anos da Constituição de 1988. Lula lembrou que o PT, do qual era líder, votou contra a aprovação da Constituição (os petistas diziam que ela não resolveria nada) e só a muito custo a assinou. "Uma parte da bancada, radicalizada, achava que não deveria assinar e eu disse: ?Não tem sentido. A gente participou dois anos aqui, ganhamos salário, ganhamos assistentes para nos ajudar, como é que pode um filho nascer e a gente não registrar? Vamos assinar.?" Lula disse que nos seis anos em que está na Presidência compreendeu, como ninguém, que a Constituição, com todos os defeitos que tem, "é um garante da democracia, esta é a verdade nua e crua". Ouça os discursos históricos da promulgação da Carta Lula citou sua própria carreira política para enaltecer a Constituição. "Imaginem vocês se, 20 anos atrás, era previsível um metalúrgico chegar à Presidência da República. E, quando se pensava em chegar, o contra-argumento era de que ?não vão deixar tomar posse?." O presidente prosseguiu nos elogios: "Vejam que coisa extraordinária: eu ganhei as eleições depois de disputar muitas, tomei posse, fui reeleito, tomei posse e, se Deus quiser, muitos outros ganharão, tomarão posse e este país nunca mais sofrerá a experiência de golpes ou que alguém que não seja o próprio Congresso Nacional, respeitando a Constituição, ou a sociedade, possa tirar um mandatário eleito democraticamente pelo povo brasileiro." Lula foi eleito deputado constituinte em 1986. Ele contou aos presentes - entre os quais estavam os presidentes do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o vice-presidente José Alencar - que só queria ser constituinte. "Tanto é que, em 1990, peguei minha mala e fui embora para São Bernardo do Campo." O presidente afirmou que a Constituinte foi um dos períodos políticos mais ricos do País. E que faria seu discurso de improviso, embora tivesse um já escrito, com todo cuidado para não falar alguma coisa que criasse problemas na relação entre os Poderes Executivo e Legislativo. Em seguida, afirmou que da tribuna da Constituinte falaram índios, crianças de rua, prostitutas, homossexuais, desempregados, os representantes do campo. Por causa da Constituição, segundo Lula, hoje o Brasil vive o mais longo período de sua democracia. "Todo mundo sabe o quanto é importante esta Constituição que permitiu que o nosso país e este Congresso cassassem um presidente da República e a estabilidade política se mantivesse neste país sem causar nenhum transtorno, por conta do fortalecimento das instituições."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.