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Lula e FHC discutem sobre corrupção; campanhas se acusam de espalhar ódio

Isadora Peron, Ricardo Galhardo e Pedro Venceslau - O Estado de S. Paulo

16 Junho 2014 | 23h 54

Ex-presidentes entram em embate público, PT explora ecos dos xingamentos à presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa, PSDB afirma que rivais ‘apostam na divisão do País’ e Aécio diz que não vai ‘cair na armadilha da luta de classes’

Os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) entraram no clima de confronto da campanha eleitoral intensificado após os xingamentos à presidente Dilma Rousseff na abertura da Copa do Mundo, na quinta-feira passada, em São Paulo. Depois de Lula acusar tucanos de disseminar “ódio” e afirmar que FHC “deveria dizer quem é que estabeleceu promiscuidade entre Executivo e Congresso quando começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição”, o tucano divulgou nota em que ironiza o petista por ter “vestido a carapuça”.

Aliados de Dilma exploram o discurso de que ela é “vítima das elites”. Candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, Aécio Neves diz que não vai cair na “armadilha da luta de classes”.

A contenda sobre corrupção entre os ex-presidentes começou com o discurso de FHC no sábado, na convenção do PSDB. “As pessoas se cansaram de empulhação e corrupção, da mentira”, disse. No dia seguinte Lula respondeu, no lançamento da candidatura de Alexandre Padilha (PT) ao governo paulista: “Ele (FHC) deveria dizer quem é que estabeleceu promiscuidade entre Executivo e Congresso quando começou a comprar voto para ser aprovada a reeleição”.

O assunto continuou nessa segunda. “Lamento que o ex-presidente Lula tenha levado a campanha eleitoral para níveis tão baixos. Na convenção do PSDB não acusei ninguém; disse que queria ver os corruptos longe de nós. Não era preciso vestir a carapuça”, afirmou FHC em nota oficial.

O pré-candidato do PSB ao Planalto, Eduardo Campos, entrou lateralmente, domingo, no embate sobre corrupção - também com um discurso mais duro que o habitual - na convenção que escolheu Paulo Câmara como candidato do partido em Pernambuco, Estado que governou por oito anos. “O governo federal é comandado por um bocado de raposa que já roubou o que tinha que roubar”, disse Campos, cujo partido integrou a gestão Dilma até setembro do ano passado.

Ódio. O debate do ódio, porém, tem sido o mais explorado neste período que precede o início oficial da campanha, em 5 de julho. Os xingamentos se transformaram em arma para o PT, em razão do alto poder aquisitivo de quem estava no estádio. Logo no dia seguinte, Lula disparou, em evento no Recife: “A elite brasileira está conseguindo fazer o que nunca conseguimos: despertar o ódio de classes”.

As declarações de Aécio em sua convenção segundo as quais “um tsunami vai varrer” o PT do governo também provocaram reações. Para aliados e dirigentes tucanos, a fala representou um marco na estratégia de polarizar a campanha com Dilma. “O discurso de Aécio deixou claro que não há terceira via. Foi uma metáfora forte, popular e certeira. Tanto que o PT sentiu o golpe”, diz o deputado Antonio Carlos Mendes Thame, secretário-geral do PSDB.

Pós-‘tsunami’, Lula voltou a citar o ódio dos adversários. “Se em 2002 tivemos que fazer uma campanha para a esperança vencer o medo, agora temos que fazer uma campanha para a esperança vencer o ódio”, disse, em slogan repetido pelo presidente do PT, Rui Falcão, e outros líderes do partido. “Por que esse ódio contra a Dilma? Por que esse ódio contra o Fernando Haddad (prefeito de São Paulo)? Por que esse ódio contra o PT?”, disse Lula na convenção de Padilha.

Na noite dessa segunda, em São Paulo, Aécio afirmou que não vai alimentar a estratégia dos adversários. “Não vamos cair nessa armadilha do debate que apequena a política, do nós contra eles, da disputa de classes”, disse.

Dirigida pelo próprio Aécio, que é presidente nacional do PSDB, a Executiva do partido divulgou ontem nota para rebater Lula e petistas sobre as citações do ódio. “A perspectiva de perder o poder está levando o PT a aumentar a agressividade e intolerância do seu discurso, apostando cada vez mais na divisão do País”, afirma nota. “Tentam atribuir a uma ‘elite conservadora’ o desejo de mudança, ignorando que cerca de 70% dos brasileiros ouvidos pelas pesquisas de opinião exigem uma nova maneira de governar o País. Primeiro, tentaram a tática do medo. Deu errado. A presidente caiu ainda mais nas pesquisas. Agora, estimulam o ódio. Mais uma vez, fracassarão”, diz o texto, lembrando da recente propaganda do PT que cita a “ameaça” da volta “dos fantasmas do passado”, em referência à gestão FHC.

Em texto publicado nessa segunda, no site do PT, o vice-presidente do partido, Alberto Cantalice, responsabilizou colunistas da grande mídia, os quais chamou de “pit bulls”, pela escalada de verborragia e ataques na campanha. A crítica à mídia também já foi feita publicamente por Lula.

Avaliações. Segundo o professor da USP José Alvaro Moisés, a queda na avaliação do governo de Dilma fez o tom do debate subir. “Há anos o Lula vem adotando esse discurso de divisão de classes. Essa ideia de dividir o País entre nós e eles, ricos e pobres, não é boa para a democracia”, afirma Moisés.

O professor da PUC Rio Ricardo Ismael tem uma opinião parecida. Segundo ele, o PT conseguiu transformar o episódio em que Dilma foi xingada na abertura da Copa em um fato político positivo, em que a presidente foi vista como vítima. Ele, no entanto, faz um alerta: “O comentário de Lula de que Dilma foi hostilizada por uma elite branca é preconceituosa. Se a eleição for por esse caminho, vai dividir o País.”

Para Cláudio Couto, professor da FGV-SP, é natural que o PT tente capitalizar esse momento. “Se colar numa parcela significativa do eleitorado a ideia de que os adversários cultivam o ódio, isso pode ser um trunfo significativo para Dilma”, diz. Couto, no entanto, considera natural que haja uma subida de tom na época das convenções partidárias. “Elas são o primeiro grande momento de campanha, em que os candidatos estão saindo do armário e precisam demarcar posições.”

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