J.F. Diorio/Estadão
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Lula diz ter prestado depoimento voluntário ao Ministério Público sobre viagens ao exterior

Em nota, petista relata alegação de que ex-presidentes do mundo inteiro defendem empresas de seus países e afirma ter orgulho disso

Carla Araújo, Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 15h11

Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva prestou depoimento voluntário nesta quinta-feira, 15, ao procurador da República Ivan Cláudio Marx, em inquérito a respeito das palestras e viagens ao exterior do ex-presidente. A investigação é conduzida pelo Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF-DF) e o depoimento foi informado pelo próprio petista, em nota à impresa.

“Lula respondeu às perguntas do procurador e argumentou que os presidentes e ex-presidentes do mundo inteiro defendem as empresas de seus países no exterior. Afirmou também que para ele isso é motivo de orgulho”, diz nota divulgava pela assessoria de imprensa do ex-presidente.

Lula também afirmou que suas palestras estão declaradas e contabilizadas e que ele “jamais interferiu na autonomia do BNDES e nas decisões do banco sobre concessões de empréstimos”. "Quem desconfia do BNDES não tem noção da seriedade da instituição", afirmou Lula na nota sobre o depoimento. O ex-presidente disse ainda que jamais interferiu em qualquer contrato celebrado entre o BNDES e empresas privadas, mas que sempre procurou ampliar as oportunidades de divulgação dessas companhias no exterior, com vistas à geração de empregos e de divisas para o Brasil.

Articulação. O ex-presidente está em Brasília também para se encontrar com a presidente Dilma Rousseff, no fim da tarde, no Palácio da Alvorada. Antes de encontrar Dilma, Lula vai se reunir com deputados do PT. O ex-presidente, que também está fazendo inúmeras articulações políticas em Brasília, quer evitar que o mandato de Dilma possa ser colocado em julgamento pelo Congresso. O governo também tenta se reaproximar do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está sob ameaça de afastamento do cargo, mas por denúncias de envolvimento nas irregularidades investigadas pela Operação Lava Jato.

Lula quer que os deputados petistas ajudem a fechar acordo com outros partidos para tentar barrar o processo contra Cunha na Comissão de Ética, por quebra de decoro parlamentar. Mas o governo tem encontrado resistência entre petistas, que não querem ajudar o presidente da Câmara. Cunha, por sua vez, ameaça colocar em andamento o processo de impeachment alegando a interlocutores que o governo, que poderia ajudá-lo, não o faz, deixando que a Polícia Federal e o Ministério Público liberar informações que chama de "seletivas", sobre sua pessoa. O Planalto reage dizendo que não tem controle sobre estes órgãos e a prova disso seria o vazamento de notícias sobre o filho de Lula. Aliás, Lula está muito incomodado com as divulgações envolvendo o nome do seu  filho,  assim como com ilações em relação a ele próprio.

Dilma e Lula já haviam se encontrado em São Paulo, na terça-feira à noite, quando a presidente fez um inflamado discurso, em evento da CUT, no qual atacou os “moralistas sem moral” que a criticam e chamou de “golpismo escancarado” o “artificialismo” do impeachment. Depois de várias reuniões em Brasília desde ontem e ao longo de hoje, Dilma e Lula se reunirão para nova conversa, no Alvorada.

Informante. No início do mês, o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a colher depoimento do ex-presidente como "informante" nas investigações do esquema de corrupção na Petrobrás. O pedido para ouvir Lula, feito pela PF, teve parecer favorável por parte do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na semana passada.

Zavascki também autorizou os depoimentos dos demais nomes endossados pelo parecer da Procuradoria, entre eles o dos ex-ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência, governo Dilma), Ideli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais, governo Dilma) e José Dirceu (Casa Civil, governo Lula). Ao recomendar que Zavascki atendesse ao pedido da PF no inquérito da Operação Lava Jato, Janot destacou que as novas testemunhas e o ex-presidente não são investigados. Segundo o procurador-geral, até o momento não há o que "justifique" a ampliação da lista de investigados no Supremo.

Apesar de não ser investigado pela Lava Jato, Lula já foi citado em conversas entre réus e condenados do esquema de desvios na Petrobrás e o instituto que ele mantém em São Paulo recebeu contribuições financeiras de empreiteiras. 

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