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Lula diz também querer inflação de 4,5% e defende ‘remédio já’

Ricardo Galhardo - enviado especial de O Estado de S. Paulo

05 Junho 2014 | 22h 06

Ex-presidente compara situação atual dos preços a uma doença que precisa de cuidados imediatos; petista admite ‘mau humor’ no País

PORTO ALEGRE - Em palestra de mais de duas horas para empresários nesta quinta-feira, 5, em Porto Alegre, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar descontente com a previsão de inflação acima do centro da meta de 4,5% estipulada pelo Banco Central para 2014.

“Também não estou gostando da inflação de 6%. Eu queria 4,5%, quem sabe 3,5%”, afirmou. O ex-presidente comparou a situação atual dos preços a uma doença que precisa de cuidados imediatos para não evoluir. 

“A inflação está um pouquinho alta. É como se a pessoa não tivesse 37° de febre, estivesse com 38°, mas precisa começar a tomar remédio já para não deixar chegar a 39° ou 40°. Senão tem que dar um choque mais pesado, um banho gelado.”

Embora tenha reclamado dos índices atuais, Lula disse duas vezes durante a palestra que “pela primeira vez na história do Brasil” a inflação fica dentro da meta durante dez anos consecutivos e afirmou que a presidente Dilma Rousseff está alerta para a alta dos preços.

Mau humor. Na palestra, Lula insistiu que existe um “mau humor” generalizado no País. “Nós temos o hábito de falar mal”, disse Lula.

Para combater o mau humor, Lula afirmou ter orientado a presidente e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a procurarem empresários e investidores estrangeiros para falar sobre as coisas boas do Brasil. 

“Eu já falei para a presidente Dilma, já falei para o Guido, vamos na City (centro financeiro da capital inglesa), lá em Londres, falar bem do Brasil”, disse ele.

A fala do ex-presidente coincide com avaliações de lideranças petistas que nos últimos dias têm defendido que Dilma tome uma atitude semelhante à Carta ao Povo Brasileiro feita por Lula na campanha eleitoral de 2002 para acalmar a agitação do mercado com a possibilidade de vitória do petista.

Lula também disse estar satisfeito com as taxas de crescimento da economia brasileira, mas creditou os baixos índices à crise econômica mundial. 

De forma indireta, Lula justificou o mau humor em relação à Dilma ao sucesso de seu próprio governo. “Pouca gente vai ter condição neste país de repetir o sucesso do meu segundo mandato”, afirmou o ex-presidente.