Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Ricardo Stuckert/Instituto Lula

‘Durmo tranquilo’, diz Lula ao receber homenagem no Piauí

Ex-presidente disse, em Teresina, que dorme com a consciência tranquila porque considera ter feito ‘o que era justo’ pelo País

Luciano Coelho, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

21 Outubro 2015 | 20h15

Atualizado às 07h40 do dia 22/10/2015

TERESINA - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que é preciso “brecar” gastos quando “perdemos a conta”. “É preciso melhorar, sim, e é preciso fazer cortes para não quebrar”, disse em discurso ao receber o título de cidadão piauiense e teresinense na Assembleia Legislativa do Piauí.

Apesar de ter defendido, nos bastidores, a saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, principal defensor do ajuste fiscal, Lula reconheceu a importância de acertar as contas públicas. “Isso a gente faz na casa da gente. Gastou um pouco demais? Perdeu a conta? Tem que brecar. Ou a gente faz isso, ou quebra de vez”, afirmou, sem dizer como e onde poderiam ser feitos os cortes.

No discurso, o ex-presidente também disse que não espera agradecimentos e que dorme com a consciência tranquila porque considera ter feito “o que era justo” pelo País. “Eu sei o que fizemos pelo Brasil. Não faço política atrás de agradecimento. Político é assim, não espere agradecimento. O melhor agradecimento é deitar com sua consciência tranquila todo dia e é o que eu faço. Fiz o que era justo para meu País.”

Lula também voltou a dizer que o País vive um momento de “ódio” e, sem citar denúncias específicas, reclamou da imprensa. “Este país está vivendo um momento inusitado. Um momento de ódio, onde as pessoas não precisam nem ser julgadas e as manchetes condenam antes das pessoas saberem se tem processos. Muita gente fica nervosa e irritada e temos que nos perguntar o que está acontecendo.”

Nessa quarta, o Estado publicou reportagem com trechos da delação de Fernando Soares, o Fernando Baiano, preso pela Operação Lava Jato sob a acusação de ser um dos operadores de propinas no esquema de irregularidades na Petrobrás. Segundo Baiano, Lula se reuniu com o pecuarista José Carlos Bumlai, de quem é amigo, e com João Carlos Ferraz, então presidente da Sete Brasil, para tratar de negócios intermediados por Ferraz, em nome do grupo OSX, do empresário Eike Batista. O encontro teria ocorrido no primeiro semestre de 2011, na sede do Instituto Lula, em São Paulo, e antecedeu a cobrança de R$ 3 milhões a Baiano por Bumlai para supostamente quitar débito de uma nora do ex-presidente.

Protesto. Cerca de 150 manifestantes do Vem para Rua, segundo cálculos da Polícia Militar, protestaram contra Lula em frente à Assembleia. Militantes petistas, com um carro de som, também estiveram no local e houve um princípio de confusão quando integrantes do grupo pró-impeachment começaram a inflar o Pixuleco - boneco do ex-presidente vestido de presidiário. Petistas ameaçaram furar o boneco. 

Os manifestantes também reclamaram da concessão de honrarias a Lula no Estado governado por Wellington Dias (PT). Eles exibiram um placa de 2,5 metros de largura em formato de certificado com o título de cidadão “Vergonha Piauiense”.

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