Lula deseja boa sorte a Renan, mas ´lava as mãos´ na crise

Senador avisou que enfrentaria situação, que classificou de ´calvário´, até o fim

Agencia Estado

21 Junho 2007 | 12h56

O governo lavou as mãos e não moveu uma palha para ajudar na quarta-feira, 20, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para Renan e lhe desejou boa sorte, mas nada fez pelo aliado. Renan disse a Lula que enfrentava um ´calvário´, mas o avisou que não renunciaria ao cargo. Embora o Planalto avalie que a situação do senador é muito complicada, vai aguardar a evolução do episódio antes de buscar nomes para apoiar numa possível sucessão no Senado. É conhecida a lentidão do presidente, no meio político, para tomar iniciativas desse porte. Na disputa pelo comando da Câmara - que confrontou dois aliados, também em fevereiro -, demorou mais de um mês para chamar Aldo Rebelo (PC do B-SP) e perguntar se ele aceitaria retornar ao governo e desistir da briga, em favor de Arlindo Chinaglia (PT-SP). O apelo, tardio, foi em vão. A conversa de Lula com os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Roseana Sarney (PMDB-MA) na terça-feira - dia da posse do filósofo Mangabeira Unger na Secretaria de Planejamento de Longo Prazo - despertou comentários de que o governo estaria atrás de substitutos para Renan. Na prática, porém, o presidente ainda não arregaçou as mangas. Interlocutores de Renan dizem que ele errou ao confiar demasiadamente em advogados, ignorando o jogo político no Congresso. No diagnóstico de seus aliados, ficou refém de senadores fracos, que não souberam defendê-lo. Peemedebistas lamentaram até mesmo a ausência do senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), internado no Incor, em São Paulo. Por essa contabilidade, ACM teria poder de influência a favor de Renan. O desgaste do presidente do Senado, no entanto, fez vários parlamentares mudarem de posição. O PT, por exemplo, o defendia publicamente. Em várias reuniões ao longo do dia, porém, decidiu agir com mais cautela. Se o julgamento de Renan não fosse adiado pelo Conselho de Ética, os petistas se absteriam na votação. Antes de o caso se complicar, o Planalto avaliava que seria bom Renan perder um pouco de musculatura, porque isso reduziria sua voracidade em cobrar cargos na equipe. O governo nunca desejou, no entanto, que ele caísse - até porque é um aliado. Lula precisa de Renan à frente do Senado, resumiu um interlocutor do presidente. De qualquer forma, a crise adiou a montagem do segundo escalão. Lula aguarda o assunto esfriar um pouco para nomear Márcio Zimmermann ministro das Minas e Energia e compor o comando de Furnas, Eletrobrás, Eletronorte, Eletrosul, BR Distribuidora e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.