Lula defende Mercosul em evento de movimentos sociais

A menos de 15 dias de deixar o governo, em um discurso para uma plateia de representantes dos movimentos sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem à noite, em Foz do Iguaçu (PR), uma veemente defesa do Mercosul, recheada de críticas aos Estados Unidos. Depois de dizer que foi criada agora uma "identidade regional mercosulina" e assegurar que a presidente eleita Dilma Rousseff vai continuar com o projeto de forma "igual ou melhor", Lula disse que "ainda há muito a fazer". E fez um pedido: "Não percam de vista o que já conquistamos - e não foi pouca coisa".

TÂNIA MONTEIRO, ENVIADA ESPECIAL, Agência Estado

17 Dezembro 2010 | 08h56

Em seguida, o presidente afirmou que tem certeza de que "ninguém sente saudades do comércio lá de trás" e que, há dez anos, os presidentes da região só disputavam quem ia passar o fim de semana em Camp David (casa de campo dos presidentes norte-americanos). Ao mesmo tempo, salientou que o ambiente hoje na região é o melhor possível. "Hoje temos uma relação invejável", comemorou.

Lula, que foi muito aplaudido pelos participantes da Cúpula Social do Mercosul, lembrou que "foram muitos os que tiveram coragem de levantar a voz contra Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que gritavam que a gente não podia se subordinar a um acordo de livre comércio com os EUA, que questionavam se não queriam fazer com a América do Sul o que a União Europeia fez com os países mais pobres como Grécia, Espanha e Portugal". Para Lula, era preciso criar e fortalecer o comércio e, hoje, "conseguimos fazer do Mercosul um centro de desenvolvimento extraordinário".

Em novas críticas aos países desenvolvidos e para comemorar a boa relação entre os países da América latina, Lula disse que "aqui não falamos em bomba nuclear, não falamos em guerra, quando muito, temos uma greve de vez em quando, mas greve faz parte da democracia". Por isso, insistiu o presidente, "não temos o direito de perder o que conquistamos". Lula reconheceu que nem tudo foi conquistado e que há críticas, mas ressaltou os avanços. "Não temos o direito de voltar, temos de seguir em frente, construindo este extraordinário Mercosul".

O presidente também comemorou a democracia que reina no Mercosul e comparou esse ambiente ao de outros blocos. Ele apontou que, no G-20 (grupo das 20 maiores economias do mundo), os sindicalistas não participam das reuniões com os chefes de Estado. Lula encerrou o discurso defendendo a independência dos movimentos sociais. Ele elogiou o "comportamento de cooperação, sem perder a autonomia, sem perder a soberania dos movimentos sociais que não pode ser correia de transmissão nem do governo nem dos partidos, mas dos interesses da sociedade civil que vocês tão bem representam". "Se não fosse o grito de vocês, as passeatas, bandeiras, quem sabe os dirigentes iam esquecer que vocês existiam?", completou.

Mais conteúdo sobre:
Mercosul movimentos sociais evento Lula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.