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Lula defende alta carga tributária do Brasil

Em entrevista à TV Senado, Lula argumentou não conhecer país desenvolvido com baixa carga tributária

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Andrea Jubé Vianna/BRASÍLIA - Agência Estado

21 Junho 2010 | 18h02

Em entrevista à TV Senado, gravada na manhã desta segunda-feira, 21, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender a alta carga tributária do País e insinuou que seu sucessor terá de conceber uma nova reforma da Previdência. A entrevista deve ser exibida na próxima sexta-feira (25), às 21h30, no programa Cidadania, em três blocos de 20 minutos.

 

Questionado sobre os impostos excessivos, alvo de críticas do empresariado e da indústria, Lula argumentou que não conhece nenhum país desenvolvido que conte com baixa carga tributária.

 

Sobre a elevação da Taxa Selic, motivada pelo risco inflacionário e pelo superaquecimento da economia, o presidente afirmou que gostaria de ter juros mais baixos. Mas ressaltou que precisa governar com responsabilidade e, que no momento, essa é a fórmula para afastar a inflação.

 

Ao comentar o reajuste de 7,72% aos aposentados e o veto ao fim do fator previdenciário, Lula admitiu que, nos próximos anos, será preciso repensar o modelo de Previdência do País por causa do envelhecimento da população. Ele observou que as pessoas estão vivendo mais e que o atual modelo talvez não comporte essa realidade. Mas ressaltou que não é um fenômeno vivenciado apenas pelo Brasil, mas pela maioria dos países.

 

A TV Senado não abordou a sucessão presidencial para evitar ofensa à Lei Eleitoral. Mas repercutiu a Lei da Ficha Limpa, sancionada por Lula, e o questionou sobre as cinco multas que recebeu do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por propaganda antecipada em favor de sua candidata, Dilma Rousseff (PT). Lula afirmou que pagará as multas, mas atribuiu as sanções às brechas na lei que não regulamentou o período de "pré-campanha".

 

Sobre política internacional, Lula defendeu novamente o acordo nuclear com o Irã, costurado pelo Brasil e pela Turquia. O presidente argumentou que o Brasil não tenha mais um "papel de segunda grandeza" na nova ordem global. Afirmou que as decisões mundialmente relevantes não podem mais ser tomadas por dois ou três líderes, como no fim da Segunda Guerra Mundial, e defendeu a participação ativa nessas decisões dos emergentes, citando Brasil, China, Índia e África do Sul.

 

O escândalo do Mensalão também foi abordado na entrevista. Questionado sobre as lições que tirou do episódio, Lula volta a defender a punição dos responsáveis. Ele observou, entretanto, que não entende como um processo que se apoia na acusação de um "deputado cassado", que "não apresentou provas" dos fatos narrados, pode ter continuidade.

 

Ele faz alusão ao ex-deputado Roberto Jefferson, presidente nacional do PTB - que formalizou nesse sábado apoio à candidatura presidencial de José Serra (PSDB) -, autor da denúncia do Mensalão (esquema de compra de votos em troca do apoio da base aliada), mas não citou, expressamente, o nome do petebista. Porém Lula foi enfático ao afirmar que respeitará a decisão da Justiça e que os responsáveis "paguem o que tiverem de pagar".

 

Ao longo da entrevista, Lula falou, ainda, sobre as greves do funcionalismo público, defendeu a construção da usina de Belo Monte e os investimentos em matrizes energéticas limpas (energia nuclear e biodiesel).

 

Lula falou de futebol no começo da entrevista, em trecho que não irá ao ar. Estava satisfeito com o desempenho da Seleção Brasileira no jogo contra a Costa do Marfim e se disse confiante no hexa.

 

O programa Cidadania faz parte da grade da TV Senado há três anos. No fim do ano passado, o programa veiculou entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre o combate às drogas. Outra edição exibiu entrevista com o cientista Miguel Nicolelis, que lidera o projeto do Instituto Internacional de Neurociências de Natal, na capital do Rio Grande do Norte.

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