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André Dusek|Estadão

Investigado pela Lava Jato, Lula decide assumir Casa Civil de Dilma

Ex-presidente vai ocupar cargo de Jaques Wagner, passa a ter direito a foro privilegiado e tentará evitar impeachment da afilhada política

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Carla Araújo, Tânia Monteiro, Vera Rosa e Igor Gadelha,
O Estado de S. Paulo

16 Março 2016 | 11h43

Brasília - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu nesta quarta-feira, 16, assumir a Casa Civil do governo Dilma Rousseff. A nomeação do ex-presidente foi confirmada em nota oficial divulgada pelo governo no início da tarde, após reunião no Palácio da Alvorada que durou quase três horas e contou com a presença também do atual titular da Pasta, Jaques Wagner e os ministros Ricardo Berzoni (Secretaria de Governo) e Nelson Barbosa (Fazenda). A posse de Lula só deverá acontecer na próxima terça-feira, 22. 

O ministro Aloizio Mercadante, da Educação, protagonista do último problema enfrentado por Dilma por causa da delação premiada do senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS), chegou cedo ao Alvorada, mas não participou da mesma reunião de Dilma e Lula

A nota oficial diz ainda que Jaques Wagner deixará a Pasta e assumirá a chefia de gabinete da presidente Dilma Rousseff, cargo que era ocupado por Álvaro Henrique Baggio. A nota não informa mas, no novo desenho do Palácio do Planalto, Jaques Wagner, como chefe de gabinete terá status de ministro. 

Wagner deixou o Palácio da Alvorada no final da manhã desta quarta e seguiu para Salvador, para comemorar seu aniversário. Ele retorna a Brasília nesta quinta-feira pela manhã.

Foto privilegiado. Com a confirmação de Lula na Casa Civil, o ex-presidente vai ocupar um gabinete no quarto andar do Palácio do Planalto, um acima do usado por Dilma, e terá entre suas missões reorganizar a base aliada do governo, a fim de conter o avanço do processo de impeachment no Congresso. 

Ao assumir o cargo, Lula ganha foro privilegiado, saindo assim da alçada do juiz federal Sérgio Moro. O ex-presidente é alvo de investigação da Operação Lava Jato, com sede em Curitiba, por suspeita de ter recebido vantagens indevidas de empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção na Petrobrás. Lula nega as irregularidades sob suspeita da força-tarefa, como obras pagas pelas empresas em um sítio em Atibaia usado pelo petista e em um tríplex no Guarujá construído pela OAS.

Do ponto de vista político, a nomeação de Lula para o governo tem por objetivo também recompor o PMDB que está rebelado e ameaça desembarcar da base aliada, como já anunciou o PMDB de Santa Catarina.

Aviação Civil. Outra informação da nota é que deputado peemedebista Mauro Ribeiro Lopes (MG) assumirá o cargo de ministro de Estado Chefe Secretaria de Aviação Civil. Lopes finalmente chega ao governo após uma longa negociação com a presidente e com membros do partido,desafiando a moção aprovada pelo PMDB no último sábado, que impedia que membros do partido assumissem cargos no governo pelos próximos 30 dias.

O acordo pela sua nomeação foi feito pelo Planalto em troca do apoio da bancada do PMDB de Minas Gerais à recondução de Picciani, aliado da presidente Dilma Rousseff, à liderança do partido na Câmara. As conversas começaram ainda no fim do ano passado. A posse de Lopes deve acontecer amanhã.

No texto, Dilma “presta homenagem e agradecimento ao Dr. Guilherme Walder Mora Ramalho pela sua dedicação”, ele ocupava interinamente a Pasta.

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