1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Lula critica oposição por querer CPI perto das eleições

JOSÉ ROBERTO CASTRO, MARIO BRAGA E GABRIELA LARA - Agência Estado

08 Abril 2014 | 12h 45

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao comentar a tentativa da oposição de criar uma CPI para investigar a Petrobras disse que os adversários tentam tirar proveito eleitoral. "O que a gente não pode é ficar vendo, em cada eleição, por falta de assunto, a oposição que nunca quis CPI, agora fique querendo tirar proveito em seis meses de campanha", afirmou. O ex-presidente sugeriu que a oposição deveria fazer um programa de governo para disputar as eleições com o PT.

Rebatendo críticas ao crescimento econômico do País, o ex-presidente ficou visivelmente irritado e deu um soco na mesa. "Eu era presidente de um sindicato quando a inflação estava em 80% ao mês e, hoje, vejo (ex-)ministro falando em estabilidade, em controlar a inflação", disse em referência à fala de um ex-ministro da economia, sem citar nomes.

Rebatendo as críticas, o petista ressaltou que há 11 anos de governo, o PT mantém a inflação dentro da meta ao mesmo tempo que gera empregos e aumenta a massa salarial. Lula voltou a defender uma postura mais firme da esquerda em relação aos adversários políticos. "A elite nunca foi condescendente com a esquerda e a esquerda sempre foi condescendente com a direita". Segundo ele, às vezes a esquerda política brasileira é "ingênua e não faz a disputa política".

Petrobras em queda

Lula avaliou com naturalidade o fato de as ações da Petrobras terem caído de forma expressiva ao longo do último ano. "Bolsa é assim mesmo", disse em entrevista na manhã desta terça-feira, 8, a blogueiros.

Segundo ele, a estatal não pode ser medida apenas pelo seu desempenho na Bovespa. "Tem que ser medida pelo conhecimento tecnológico e pela quantidade de petróleo que tem lá no pré-sal", afirmou. "O Brasil precisa ter a dimensão do patrimônio da Petrobras e do significado que ela tem."

Comércio brasileiro

O ex-presidente defendeu a estratégia de ampliar o comércio exterior com a América Latina em detrimento das transações com norte-americanos e europeus e que quem deve estar preocupado com o comércio brasileiro é o Brasil e não os Estados Unidos. "Os Estados Unidos, a Alemanha querem mais vender do que comprar", afirmou.

Explicando seu raciocínio, o ex-presidente disse que o comércio do País com a França, que tem cerca de 60 milhões de habitantes, é de US$ 10 bilhões, o mesmo montante negociado com o vizinho Chile, que tem uma população inferior a 20 milhões de pessoas.

O petista afirmou ainda que "hoje, nosso comércio com a América Latina é maior do que com a Europa e com os Estados Unidos". "O comércio com a África era de US$ 5 bilhões e hoje é de quase US$ 30 bilhões", exemplificou.