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Política

Polícia Federal

Lula critica Justiça e mídia e diz merecer respeito como ex-presidente

Após ser levado para depoimento pela PF, petista ataca 'prepotência' de investigadores e afirma que operação serve para PT 'levantar a cabeça'

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Alexandra Martins, Pedro Venceslau e Ricardo Galhardo,
O Estado de S. Paulo

04 Março 2016 | 15h28

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira, 4, que a condução coercitiva à qual foi submetido nesta manhã pela Polícia Federal foi "o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça", embora tenha dito estar "magoado e ofendido" e se sentido "um prosioneiro hoje" com a medida, que considerou fruto de "prepotência" dos investigadores da Operação Lava Jato. O petista também fez uma série de críticas à imprensa e a veículos de comunicação e disse merecer "respeito" como ex-presidente. Lula acrescentou que, com a condução coercitiva da Operação Aletheia, tentaram "matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo".

"Eu fiquei magoado, ofendido, me senti ultrajado, mas isso era o que precisava acontecer para o PT levantar a cabeça. Todo santo dia alguém faz o partido sangrar. A partir da semana que vem, quem quiser discurso do Lula, é só pagar a passagem de avião. Não sei se serei candidato em 2018, mas essas coisas aumentam a tesão da gente. Tentaram matar a jararaca, mas não acertaram na cabeça, acertaram no rabo. A jararaca está viva", disse Lula em entrevista coletiva concedida na sede PT, em São Paulo.

No discurso, transmitido por sites aliados do PT, o ex-presidente criticou a imprensa pelo que considera um “espetáculo midiático” e disse que “hoje quem condena as pessoas são as manchetes”. “A minha indignação é pelo fato de 6 horas da manhã terem chegado na minha casa, vários delegados, aliás, muito gentis, não sei se são sempre assim, mas muito gentis, pedindo desculpas, que estavam cumprindo uma decisão judicial e a decisão era do juiz Moro”, declarou Lula, rodeado de parlamentares, dirigentes e militantes do PT e de movimentos sociais.

O petista demonstrou indignação com a atuação do Ministério Público Federal na deflagração da 24ª fase da Lava Jato. "Quando eu cheguei à Presidência, a primeira coisa que fiz foi fortalecer o Ministério Público, foi indicar o primeiro da lista (tríplice) para o cargo de procurador-geral. Fui eu que adotei isso, no meu governo. Agora, é importante que eles saibam que uma instituição forte tem que ter pessoas muito responsáveis."

O ex-presidente também pediu desculpas à mulher, Marisa Letícia, que não foi alvo de mandado de condução coercitiva, à família e aos amigos e assessores que foram envolvidos na operação desta sexta. "Virou uma coisa perigosa hoje ser amigo do Lula", ironizou.

O petista citou o juiz federal Sérgio Moro, que conduz a Lava Jato na primeira instância e autorizou a condução coercitiva de Lula. "O Moro não precisava ter mandado uma coerção na minha casa de manhã, na casa do Delcídio, do Paulo Okamoto, não precisava. Era só ter convidado. Eu iria em Curitiba, iria a Brasília, era só ter chamado."

Sítio. Lula reiterou que o sítio em Atibaia, sob suspeita de ser sua propriedade obtida por meio de troca de favores de empreiteiras ligadas à Lava Jato, não é dele. "Agora eu não posso usar a chácara porque é crime. Não é meu porque eu não paguei e não comprei. Se eu não paguei e não comprei, ele não é meu. Quando tiver a escritura no meu nome, aí ele passa a ser meu."

As palestras de Lula negociadas pelo Instituto Lula, alvo de mandado de busca e apreensão nesta manhã, também foram tema da coletiva do ex-presidente. "Sou, sim, um dos palestrantes mais caros do mundo. Só fico atrás do Bill Clinton. Cobro US$ 200 mil sim porque sei o que eu fiz para este país. Fiz vários milagres, qual milagres eles (oposição) fizeram?", disse.

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