Lula censura Chávez por ter criticado Senado brasileiro

Para presidente, Chávez esqueceu que Congresso o apoiou no golpe em 2002

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu na terça-feira, 12, a manutenção das parcerias com a Venezuela e a Bolívia. Lula, no entanto, censurou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, por ter criticado o Senado brasileiro, que o apoiou na tentativa de golpe de Estado em 2002. "Nós temos uma extraordinária parceria com a Venezuela. Certamente o Chávez não precisaria ter falado do Senado, porque, quando ele tomou um golpe, o Senado foi contra o golpe. Mas às vezes as pessoas esquecem. Falou, e quando a gente fala a gente paga, paciência", disse Lula em discurso de abertura do 7° Congresso Nacional dos Metalúrgicos da CUT. O Senado brasileiro aprovou requerimento com um pedido para que o presidente venezuelano devolvesse a concessão do canal RCTV, que não foi renovada neste mês. Chávez revidou ao afirmar que o Senado brasileiro agia "como um papagaio" do Congresso norte-americano. Ainda sobre a polêmica, o presidente Lula afirmou que a não-renovação da concessão foi um ato democrático. Sobre a Bolívia, Lula disse que foi criticado por não ter tido uma postura mais dura quando o país nacionalizou o gás, no ano passado. Na contramão do que queria a oposição brasileira, Lula defendeu a decisão do presidente boliviano, Evo Morales. "Uma das coisas mais extraordinárias foi a eleição do Evo Morales, um índio ser eleito presidente da Bolívia", disse Lula. "Eu apanhei muito por causa disso, entretanto vocês nunca me viram fazer uma crítica ao Evo Morales, porque eu conheço a situação de pobreza da Bolívia, conheço o sofrimento daquele povo e se eu puder ajudar, vou ajudar", afirmou. Confortável ao discursar para uma platéia de metalúrgicos, Lula disse que não é contrário à realização de greves pelo setor público, mas defende a regulamentação das paralisações, que vem sendo discutida pelo governo. Defendeu ainda uma bandeira dos sindicalistas que é a instituição do contrato coletivo de trabalho para o funcionalismo. Lula concedeu entrevista, quando disse que duvida que seu irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá, tenha feito lobby, por ser ingênuo. Vavá foi indiciado pela Polícia Federal por tráfico de influência junto ao Executivo e exploração de prestígio no Judiciário supostamente em favor de empresários do jogo. Antes da abertura do congresso em um hotel de Guarulhos, na Grande São Paulo, Lula recebeu a atriz Bruna Lombardi, que disse ter ido apresentar um projeto relacionado ao meio ambiente para o presidente. Ainda no discurso, Lula disse que sairia do evento direto para seu apartamento em São Bernardo do Campo, também na Grande São Paulo, para comemorar o Dia dos Namorados com a primeira-dama, dona Marisa Letícia.

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