Lula atribui ao Ibama Operação comandada pela PF

Ação combate quadrilha que desviava recursos da taxa no acesso ao Cristo Redentor

Agencia Estado

15 Junho 2007 | 02h40

Ao destinar um elogio ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), nesta quinta-feira, 14, cujos servidores estão em greve contra decisão do governo há quase um mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva acabou atribuindo ao órgão uma ação que na verdade foi efetuada pela Polícia Federal. Ao participar nesta manhã de ato da campanha "Vote no Cristo. Ele é uma Maravilha", para eleger o monumento carioca como uma das sete novas maravilhas do mundo, Lula fez menção ao Ibama, responsável pela manutenção do parque onde se localiza o Corcovado. "Tenho que agradecer ao Ibama, que acabou com uma quadrilha com gente que explorava aqui", disse Lula em discurso referindo-se a uma ação da Polícia Federal de combate a uma quadrilha que desviava recursos da taxa de pedágio no acesso ao monumento. Batizada de Operação Escariotes, referência ao traidor de Cristo, a ação da PF identificou desvios de 500 mil reais mensais que prejudicavam o Ibama. Ao deixar o morro do Corcovado, Lula passou de carro pelos grevistas do Ibama, que se manifestavam contra a divisão do órgão em dois. Pelo projeto do governo, o Ibama ficaria responsável pelo licenciamento ambiental e o novo Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade cuidaria das unidades de conversação. A MP enviada pelo governo ao Congresso foi aprovada na Câmara na terça-feira e seguiu para apreciação do Senado. Segundo os manifestantes, a divisão não vai acelerar as licenças ambientais, como espera o governo e sim dificultá-las. "Isso vai atrasar ainda mais o licenciamento", afirmou Roberto Hauet, analista do Ibama-RJ. "Tem um conjunto de pareceres que terão que passar pelas unidades de conservação e voltar para o Ibama. De oito passos, se passou para 18 a 19", afirmou. Se Lula passou rápido pelos manifestantes do Ibama, não teve como ignorar protesto dos servidores públicos que colocaram um avião monomotor sobrevoando o Cristo com uma faixa com os dizeres "Lula: cumpra acordo com os servidores". O ruído do monomotor chegou a abafar o som da cerimônia que começou sem amplificação por algum problema técnico. Ao deixar a cerimônia, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, disse a jornalistas acreditar que um acordo com os servidores públicos de sua área está próximo. "A questão é da alçada do Planejamento. O alcance do Ministério da Cultura é o de reivindicar politicamente o que temos feito. O ministro está ao lado dos funcionários", disse Gil.

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