DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Lula afirma que seria 'desleal' pedir o afastamento de Levy

Ex-presidente negou que tenha pressionado pela saída do ministro da Fazenda, alvo de críticas do PT, e disse que 'não tem o direito de indicar ninguém'

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

23 Outubro 2015 | 15h05

Atualizada às 15h27

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou ter pedido o afastamento do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, à presidente Dilma Rousseff. Em entrevista a Mário Kertész, da Rádio Metrópole, de Salvador, Lula disse que tal movimento seria "desleal". Ele também disse que não indicou o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles para o cargo.

"Eu não seria desleal com a Dilma, não seria desleal com o Levy e não seria desleal com o Meirelles. Eu não sou o presidente e não tenho o direito de indicar ninguém. Eu tenho o direito de torcer para que a presidenta Dilma escolha as pessoas mais corretas", disse, na entrevista realizada na manhã desta sexta-feira, 23.

Lula afirmou que, quando Levy foi indicado para o ministério, ele argumentou que era a "melhor notícia" que Dilma havia dado desde a vitória da reeleição. "Foi o primeiro momento que a imprensa falou com carinho de uma indicação da Dilma", destacou. "E ele (Levy) tem a responsabilidade de fazer o ajuste, agora ele também não tem o controle do Congresso Nacional", ponderou

"Se a Dilma quiser ficar com Levy, ela fica; se quiser tirar, ela tira. Eu vou continuar apoiando, torcendo para o governo dar certo. Porque, se o governo não der certo, quem perde não é a Dilma, quem perde sou eu, é você, é o povo brasileiro", completou o ex-presidente.

Ajuste. Para o ex-presidente sua sucessora, Dilma Rousseff, foi obrigada pelas circunstâncias a fazer o ajuste fiscal mesmo depois de ter dito, durante a campanha, que ajuste era "coisa de tucano". "Dilma dizia que ajuste era coisa de tucano e que ela não ia mexer nos direitos dos trabalhadores. E ela foi obrigada pelas circunstâncias políticas a ter que fazer um ajuste", disse Lula, em entrevista a uma rádio.

"A Dilma foi obrigada a manter uma política de subsídio muito importante para garantir o emprego e uma política de desoneração muito grande que foi feita neste País, pra gente poder manter as indústrias funcionando, a economia funcionando e geração de emprego. Chegou no fim do ano, você foi fazer o balanço e percebe que a despesa está um pouco maior do que a receita, então, você é obrigado a parar por uma questão de responsabilidade e a Dilma parou", justificou Lula.

O petista disse que a oposição se aproveitou desse quadro, em que Dilma foi "obrigada" a contrariar suas promessas de campanha, para acusá-la de "estelionato eleitoral". "Depois que Dilma fez o ajuste, os adversários começaram a trabalhar na sociedade essa história de estelionato eleitoral e de trair os trabalhadores", afirmou. E repetiu que as chamadas "pedaladas fiscais" foram usadas por Dilma para garantir a manutenção de programas sociais, como Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida.

Apesar de ter dito na entrevista que não aconselhou Dilma a trocar Joaquim Levy por Henrique Meirelles na Fazenda, Lula voltou a defender que o País precisa incentivar o consumo para sair da crise econômica. "Vamos à luta, não dá pra ficar parado. Por que eu tenho muita fé no Brasil? Porque nós temos um mercado interno extraordinário, são 200 milhões de seres humanos dispostos ainda a fazer compras. (Essa) é a garantia (para) eles não perderem o emprego e a economia voltar a girar."

Lula disse que voltou a circular pelo País para levar uma mensagem de otimismo. Segundo ele, é preciso "levantar a moral da tropa". "Não há nenhuma razão pra gente não acreditar que amanhã vai ser melhor que hoje. Se todo mundo levantar com pessimismo, azedume, a energia leva o País pra baixo. Temos que levantar esse País", concluiu.

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