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Lula afirma que PT precisa parar de tirar quadros de movimentos sociais para eleições

'Congresso é para tribuno profissional. Precisamos muitas vezes convencer os principais quadros que a gente tem a ficar no movimento social', disse o ex-presidente em evento no Instituto Lula

Letícia Sorg, O Estado de S. Paulo

05 Outubro 2015 | 19h08

São Paulo - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em seminário promovido pelo Instituto Lula na tarde desta segunda-feira, 5, que é histórico que um partido se enfraqueça ao assumir o poder. Ele afirmou que é preciso parar de ser "ave de rapina", tirando quadros dos movimentos sociais para integrar governos municipais, estaduais e federal.

Ele contou que tentou convencer a presidente de um sindicato a não se candidatar ao cargo de deputado estadual. "Eu disse para ela que era muito mais importante ela continuar na atuação sindical", afirmou. "Congresso é para tribuno profissional. Precisamos muitas vezes convencer os principais quadros que a gente tem a ficar no movimento social."

O ex-presidente discursou no encerramento de um seminário com o vice-presidente boliviano Álvaro García Linera. Lula voltou a dizer que há uma tentativa de criminalizar setores de esquerda em vários países, uma tendência muito forte no Brasil, segundo ele, e reiterou que a ascensão de pessoas mais pobres no País gera descontentamento entre os mais ricos. 

Lula também fez um mea culpa sobre a falta de divulgação da gestão petista no continente americano. "Não utilizamos bem nossa passagem pelo governo para transformar o sucesso que tivemos aqui no Brasil em sucesso de política internacional", afirmou, ressaltando que o partido poderia ter feito mais em questões internacionais.

O petista também admitiu que poucas pessoas sabem o que aconteceu na Bolívia, os avanços sociais descritos por Linera, e destacou os momentos difíceis por que passa a presidente do Chile, Michelle Bachelet, às voltas com a baixa popularidade, e o que chamou de ataques à presidente argentina, Cristina Kirchner. Lula contou que certa vez foi questionado por um presidente sobre como deveria tratar os inimigos, ao que ele respondeu que deveriam ser tratados "como você gostaria que eles te tratassem". 

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