Marcos de Paula/AE
Marcos de Paula/AE

Lula afirma que não deixará a política

Presidente relembrou principais momentos de sua vida política em evento em sua homenagem no Rio

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

20 Dezembro 2010 | 23h29

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou para milhares de pessoas que tomaram a Praça da Apoteose durante a festa "Obrigado, presidente Lula: o povo do Rio agradece", na noite de hoje, que vai continuar participando da vida política do País depois do fim do seu mandato, no dia 31. Ele informou que pretende ajudar políticos aliados nas eleições municipais de 2012, citando como exemplo o prefeito da cidade do Rio, Eduardo Paes, que deve tentar a reeleição.

 

Em seu discurso de 23 minutos, Lula se emocionou em diversas ocasiões e fez uma linha do tempo sobre a sua vida política. Quando mencionou 2005, disse "que a História vai julgar" o episódio do mensalão. "Vocês viram o que aconteceu comigo em 2005", disse Lula. "Mais uma vez se tentou truncar o mandato de um presidente democraticamente eleito. Fui para uma reunião com os senadores Renan Calheiros e José Sarney e disse que não ia ser derrotado e nem me mataria como Getúlio (Getúlio Vargas, que se suicidou em agosto de 1954) ou renunciar como Jango (João Goulart, que deixou a presidência em 1964, após golpe militar). Os meus inimigos iam ter que me derrotar nas ruas e nas portas das fábricas", discursou o presidente, levando ao delírio as milhares de pessoas que participavam da festa.

 

O presidente agradeceu ao governador do Rio, Sérgio Cabral, e a Paes. Disse ter certeza de que sua sucessora, Dilma Rousseff, continuará a tratar o Rio "com o mesmo carinho". Lula ainda enumerou as realizações promovidas no Rio de Janeiro, a partir da parceria política estabelecida entre ele e Cabral desde a disputa do segundo turno das eleições de 2006.

 

"Se juntar todos os presidentes da história deste País, duvido que tenham subido 10% dos morros que nós subimos nos últimos quatro anos", disse Lula, que mais uma vez criticou, sem citar os nomes, os antecessores de Cabral e Paes na administração pública do Rio: Anthony Garotinho (PR) e Cesar Maia (DEM).

Lula, no fim do discurso, fez apenas uma queixa aos seus anfitriões. Disse que vem ao Rio desde 1975 e que nunca foi convidado a tomar um banho de mar na Praia de Copacabana. Disse ainda que não vê a hora de fazer isso "tomando uma cerveja e uma caipirinha sem o assédio da imprensa".

 

 

 

 

 

A festa, oficialmente oferecida pelo diretório regional do PMDB, exigiu uma grande produção. Além da participação dos sambistas Martinho da Vila e Zeca Pagodinho, foram exibidos vídeos com depoimentos gravados de moradores de comunidades carentes que receberam obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Os vídeos tinham a mesma estrutura dos programas eleitorais da campanha de reeleição de Cabral ao governo - depoimentos emotivos, com frases curtas e de efeito, música instrumental ao fundo e imagens das principais obras feitas na parceria do governo federal e estadual.

A parceria entre o Estado e a União foi mencionada diversas vezes ao longo do discurso de Lula. Ele fez uma homenagem especial ao vice-governador Luiz Fernando Pezão. Disse que quando o viu abraçado, na tarde de ontem, à futura ministra do Planejamento, Miriam Belchior, pensou: "Lá se foi metade do orçamento da Dilma", disse o presidente, elogiando a capacidade de Pezão de apresentar projetos para o Rio e retirar recursos do governo federal. "Só o Zé Alencar, que está internado lá em São Paulo, é um vice tão bom ou melhor que o Pezão. Não sei se ele calça 48 ou não, mas esse filho da mãe é um pé de boi".

Muito agradecido, o presidente ainda lembrou do elogio que recebeu do colega americano Barack Obama. "O Obama disse que eu sou o cara porque não conhece esse pessoal do Rio. Eles é que são os caras".

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