Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Lula afirma à Justiça ser vítima 'quase de um massacre'

Ex-presidente presta depoimento em Brasília sobre processo no qual é acusado de comprar o silêncio de ex-diretor da Petrobrás

Julia Lindner e Fábio Fabrini, O Estado de S.Paulo

14 Março 2017 | 11h08

Correções: 14/03/2017 | 12h12

BRASÍLIA - Em depoimento à Justiça Federal nesta terça-feira, 14, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou do assédio da imprensa contra ele em meio às investigações da Lava Jato. "O senhor sabe o que é levantar todo dia achando que a imprensa está na porta da minha casa porque eu vou ser preso?", questionou o petista ao juiz federal Ricardo Augusto Soares Leite, da 10.ª Vara Federal.

O interrogatório de Lula começou por volta das 10h10. Essa é a primeira vez que o ex-presidente é questionado em juízo como réu em ação penal relacionada à Operação Lava Jato. O petista é acusado de ser o mandante da tentativa de compra do silêncio do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró.

Segundo Lula, todos os dias são publicadas notícias de que ele será citado em novas delações premiadas, o que gera apreensão. "Nos últimos anos tenho sido vítima quase de um massacre", lamentou.

Lula afirmou que os dados da acusação feita pelo ex-senador Delcídio Amaral contra ele são "falsos" e que não entende qual foi o objetivo do senador cassado ter contado tantas "inverdades". Ele insinuou que Delcídio teria firmado o acordo de delação apenas para sair da cadeia e jogar a culpa "nas costas" dos outros.

Ele negou que tivesse interesse de impedir que Cerveró firmasse acordo de delação premiada. "Só tem um brasileiro que poderia ter medo do depoimento do Cerveró, que é o Delcídio. Ele já tinha convivência com Cerveró antes do meu governo. Todo mundo sabia da relação histórica dos dois", contou.

O ex-presidente afirmou ainda que não conhece Cerveró e que não tinha convivência com ele. Lula disse que não tinha receio do depoimento de nenhum diretor da Petrobrás porque não tinha relação com eles.

"Estou aqui para responder toda e qualquer pergunta. Se tem um brasileiro que quer a verdade sou eu", declarou no início do interrogatório. Ele iniciou a sua fala relembrando a história do PT como partido político e conquistas do seu governo. "Me ofende profundamente a acusação de que o PT seria uma organização criminosa", declarou.

Correções
14/03/2017 | 12h12

Diferentemente do informado inicialmente, o ex-presidente Lula não afirmou em seu depoimento desta terça-feira, 14, que temia ser preso. O petista falou sobre a presença da imprensa na porta de sua casa no contexto das investigações que foram abertas contra ele.

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