Lula: acordo na OMC 'não quebra solidariedade'

Em Lisboa, presidente afirma que países do G-20 vão aprovar o acordo.

Jair Rattner, BBC

26 Julho 2008 | 09h27

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado em Lisboa que a posição do Brasil de fechar o acordo da rodada de Doha, cujas negociações ocorrem em Genebra, não foi uma "quebra de solidariedade" com os outros parceiros do G-20. O presidente disse que acredita que o acordo vai ser fechado pelos outros participantes do G-20 nas negociações da Organização Mundial do Comércio, a OMC. "O Brasil não quebrou solidariedade nenhuma. Participamos do G-20, queremos que o acordo seja de interesse do G-20, mas vocês hão de convir que dentro do G-20 temos assimetrias e disparidades enormes entre os países. Os interesses dos países não são os mesmos, embora nós precisemos encontrar um denominador comum", disse Lula. Segundo o presidente, o G-20 não ficará dividido em consequência de o Brasil ter aceito a proposta apresentada pelos Estados Unidos e União Européia na negociações de Genebra. Falando após o anúncio de um investimento da Embraer de 148 milhões de euros em Portugal, o presidente mostrou otimismo a respeito do acordo que está sendo discutido na OMC. "Eu continuo acreditando que nós vamos fechar o acordo. Para mim, as divergências são normais porque elas envolvem muitos interesses, envolvem países, envolvem milhares de empresários. O importante é que haja a decisão políticia de fazer o acordo, porque ele será bom para o mundo". Na defesa da posição brasileira, Lula procurou assumir o papel de porta-voz dos países mais pobres. "E não falo isso pelo Brasil, proque o Brasil é competitivo na agricultura, tem tecnologia, tem terra e tem água. Falo pelos outros países menores da América Latina, pelos países africanos, que precisariam de flexibilização do mercado europeu e do fim dos subsídios americanos para poderem colocar os seus produtos nesses mercados." Para o presidente, é necessário que os países ricos entendam o que significa livre comércio. "O mundo rico precisa compreender que liberdade de comércio significa não apenas eles quererem vender, significa também eles terem disposição de comprar". BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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