Luciana Genro diz que seu programa é 'de transição'

Luciana Genro diz que seu programa é 'de transição'

Luciana afirmou que o atual modelo coloca os interesses do capital financeiro acima dos interesses da economia real, o que, segundo ela, resulta em desemprego e arrocho salarial

STEFÂNIA AKEL, Estadão Conteúdo

23 Setembro 2014 | 17h53

A candidata do PSOL à Presidência, Luciana Genro, afirmou que seu programa de governo não é "diretamente socialista", mas sim de transição. Em discurso repleto de críticas aos adversários - principalmente ao PT - a ex-deputada frisou, ao apresentar seu programa, que a primeira e mais importante mudança estrutural proposta diz respeito à política econômica.

Luciana afirmou que o atual modelo coloca os interesses do capital financeiro acima dos interesses da economia real, o que, segundo ela, resulta em desemprego e arrocho salarial. "O PT deu continuidade a um modelo econômico que tem trazido completa subordinação da esfera produtiva à esfera financeira", criticou, acrescentando que o Brasil passa por um processo de desindustrialização.

"A lógica econômica que o Brasil vive precisa ser rompida e nossa proposta é de ruptura. Nossa primeira política econômica é a eliminação dessa lógica de esforço produtivo para pagar os juros da dívida", afirmou.

A candidata criticou seus adversários por responderem com perguntas evasivas quando questionados sobre de onde vão tirar recursos para implementar suas propostas. "Não temos contas na ponta do lápis, mas nós temos sim uma fonte muito clara para fazer essas melhorias que estamos propondo", disse. Segundo ela, o dinheiro virá da mudança da política econômica, com o fim do superávit primário e a revolução da estrutura tributária.

Luciana também disse que não buscará atalhos para chegar ao poder, "como fez o PT". "Para aprovar a reforma da previdência, Lula recorreu ao mensalão", afirmou. "Esses mesmos atalhos trilhados pelo PT estão sendo agora trilhados pela Marina", acrescentou, referindo-se principalmente à proposta da ex-ministra de conceder independência ao Banco Central. A socialista disse ainda que acredita ser possível mobilizar a população para aprovar medidas que dizem respeito ao interesse do povo. "Confiamos nessa capacidade de mobilização para implementar as mudanças que a gente defende", ressaltou.

Calote da dívida

A candidata do PSOL negou que a proposta do seu programa de governo de colocar "abaixo o superávit primário" se configure em um calote da dívida. "A proposta vem acompanhada da auditoria da dívida, por isso não é um calote", disse.

"Calote é o que o governo brasileiro tem dado ao povo", acrescentou, gerando manifestações de apoio da plateia de cerca de 20 militantes do partido. Segundo ela, com a auditoria, o pagamento para "bancos e especuladores" será suspenso, mas fundos de pensão e pequenos poupadores não serão afetados.

A candidata ressaltou ainda que o Congresso já identificou um conjunto de irregularidades na dívida pública que precisa ser analisado.

"Os especuladores certamente não vão gostar e vão embora. Podem ir com Deus", disse, arrancando risos. "Não queremos esse movimento de capitais que vem para parasitar na economia. Já investidores produtivos, esses poderão continuar investindo, desde que respeitem as regras que o novo governo vai impor democraticamente", afirmou.

O programa de governo do PSOL foi lançado em um hotel no centro de São Paulo, em uma sala com militantes do partido, coordenadores de campanha e a imprensa. O evento foi breve e a candidata seguiu para um encontro com mulheres.

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