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Lobista não tinha aval para pedir em nome de entidade, diz ex-diretor da Anfavea

Paulo Sotero Pires Costa depôs em audiência da Operação Zelotes como testemunha de defesa de Mauro Marcondes Machado, mas afirmou que seu compromisso era dizer o que sabe

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Fábio Fabrini,
O Estado de S.Paulo

02 Fevereiro 2016 | 12h20

BRASÍLIA - O ex-diretor executivo da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) Paulo Sotero Pires Costa afirmou nesta terça-feira, 2, que o lobista Mauro Marcondes Machado não tinha autorização para pedir, em nome da entidade que representa o setor automotivo como um todo, incentivos fiscais para empresas específicas. Machado é réu em ação penal da Operação Zelotes, que apura suposta "compra" de medidas provisórias que concederam os benefícios a montadoras. 

O ex-diretor executivo, que esteve na Anfavea de 1995 a 2013, depôs nesta terça à Justiça Federal por videoconferência como testemunha de defesa de Marcondes. O réu foi vice-presidente da associação, indicado por empresas como a Scania e MMC Automotores (que fabrica veículos Mitsubishi no Brasil). Paralelamente, mantinha um escritório que fazia lobby para montadoras em órgãos públicos, entre elas a MMC e a CAOA (que monta modelos Hyundai). 

Informado de que, conforme o Ministério Público Federal, o lobista se apresentava em órgãos públicos como representante da associação dos fabricantes, Sotero declarou: "Desavisadamente, porque ele reivindicava benefícios para as empresas. Isso tem sido criticado. Se ele fez isso, não poderia ter feito, não. Ou vai defender questão do setor ou se apresenta: 'olha tenho interesse específico nessa empresa'".

Sotero disse que, embora prestasse depoimento como testemunha de defesa de Marcondes, seu compromisso era dizer o que sabe. "Não tenho o que defender (sobre a acusação a Marcondes), porque desconheço esses fatos que são notórios nos jornais", disse. 

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