Líder dos arrozeiros diz que só Exército levará paz à Raposa

Quartiero negou ter ordenado que seus funcionários atirassem em índios, em confronto que deixou 10 feridos

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

15 Maio 2008 | 12h37

O prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero, líder dos arrozeiros na reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, afirmou que o Estado não ficará em paz enquanto a Polícia Federal ali estiver. "Paz só vai haver com uma intervenção do Exército brasileiro por um período." Ele afirmou que a ocupação da Fazenda Depósito por índios "foi armada" pelo Conselho Indigenista de Roraima (CIR). Essa afirmação foi endossada pelo líder do PR na Câmara, deputado Luciano Castro (RR), um dos parlamentares que apóiam Quartiero. "A invasão da fazenda foi montada pelo CIR. Pegaram alguns índios com o intuito de ocupar a fazenda", acusou Castro.   Veja também: STF nega pedido de apreensão de armas na Raposa Serra do Sol Derrota no STF pode causar mais violência em Roraima, diz líder indígena Lula desautoriza militares contrários à Raposa Serra do Sol Decreto de Lula deve ampliar presença militar em área indígena Fórum: na sua opinião, qual é a solução para o conflito   Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região  Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol   Quartiero afirmou que sua prisão foi "política". Até quarta-feira, ele esteve preso na Polícia Federal (PF), em Brasília, acusado de porte ilegal de explosivo e formação de quadrilha na reserva. "Foi uma prisão política, porque somos contra a política do governo federal", declarou. E acusou: "A política do governo é de desprestigiar os brasileiros em favor das ONGS (organizações não-governamentais) estrangeiras", disse. Candidato à reeleição em outubro, Quartiero afirmou que não há armas na fazenda dele - a Fazenda Depósito, situada dentro da reserva - e acusou o governo de fazer "terrorismo de Estado". "Seqüestraram as terras de Roraima", declarou.   Quartiero também negou ter ordenado que seus funcionários atirassem em índios que entraram em sua fazenda no dia 5. "Não ordenei nada. Não houve ataque nenhum, mas um conflito que infelizmente deixou feridos", rebateu.   Segundo o prefeito, a resistência contra a retirada dos não-indígenas da Terra Indígena Raposa Serra do Sol vai continuar. Para ele, a manutenção dos produtores rurais na região é essencial para a manutenção da soberania brasileira na região: "Não vamos entregar Roraima nem deixar que entreguem a Amazônia".   Por unanimidade, a 2ª Seção do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, concedeu liberdade provisória a Quartiero. Os desembargadores também negaram pedido de prisão preventiva contra mais nove pessoas denunciadas pelo Ministério Público Federal. O nome dos outros acusados não foi divulgado porque o processo corria em segredo de Justiça.   Texto alterado às 16h50 para acréscimo de informações   (Com Agência Brasil)

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