André Dusek/Estadão
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Líder do PT nega orientação de Lula para proteger Cunha, mas não comenta posição oficial do partido

Sibá Machado afirmou que a ordem do ex-presidente Lula é deixar que o pedido de investigação de Cunha por quebra de decoro parlamentar apresentado pelo PSOL e Rede seja tratado dentro do 'fórum oficial'

Igor Gadelha, O Estado de S. Paulo

15 Outubro 2015 | 19h42

Brasília - O líder do PT na Câmara, Sibá Machado (AC), afirmou que o ex-presidente Lula não deu nenhuma orientação à bancada do partido sobre como se comportar em relação ao pedido de afastamento do presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), durante reunião com 12 deputados petistas na capital federal. Segundo Sibá, o grupo tratou "muito pouco" sobre esse assunto durante o encontro. Isso porque o tema central da reunião era a mobilização para evitar o impeachment da presidente Dilma Rousseff, disse.

O parlamentar afirmou que a ordem do ex-presidente Lula é deixar que o pedido de investigação de Cunha por quebra de decoro parlamentar apresentado pelo PSOL e Rede seja tratado dentro do "fórum oficial", ou seja, no âmbito do Conselho de Ética. "Esse assunto não é nosso, não vamos nos meter nisso", afirmou. 

Sibá ressaltou que o apoio dos mais de 30 deputados do PT ao pedido de cassação do presidente da Câmara foi um posicionamento individual, que não reflete a posição oficial do PT. "Não posso estar privando ninguém do seu direito parlamentar. Então, fizeram aquilo (o apoio à cassação de Cunha) e pronto, encerrou este assunto", afirmou o líder. De acordo com ele, os deputados do PT que integram o colegiado não receberão qualquer indicação de como devem votar. "Quem está lá no Conselho sabe das responsabilidades que têm. Não vou fazer esse tipo de conversa e não recebi isso do presidente Rui Falcão nem de ninguém", afirmou. "Não sei de onde está vindo essa história (de acordo com Cunha)", acrescentou. 

O líder do PT disse que o processo de investigação contra Cunha não é o tema do partido. "Nosso tema é fazer um enfrentamento à oposição sobre impeachment", disse. "O que posso aqui resumir em palavras que nós combinamos é que não tem essa sobre impeachment, é bateu, levou. O ex-presidente (Lula) orienta a bancada a não aceitar o que se diz lá no Norte: levar gato ensacado para casa", afirmou. O ditado, segundo o parlamentar, significa não levar desaforo para casa. 

Machado afirmou que o partido vai se "arregimentar" para o embate, envolvendo a sociedade, os movimentos sociais, aliados e os "amantes da democracia" em defesa da presidente, desde que dentro do campo democrático. Segundo ele, o PT vê com "espanto" membros do PSDB "quererem levar o País a esse vexame". Ele afirmou que a bancada da Câmara já incorporou o discurso de Lula de que as pedaladas fiscais foram praticadas para pagar o Bolsa Família. "Já está incorporado, porque é realidade", disse.

Na entrevista, o parlamentar também disparou críticas ao Tribunal de Constas da União (TCU). Para o líder do PT, os ministros da Corte que reprovaram por unanimidade as contas da presidente Dilma de 2014 agiram "orientados pelos tucanos". "O TCU tem que entender que não é Tribunal de Justiça", afirmou Machado. Segundo o líder do PT, Lula reforçou durante o encontro a avaliação positiva sobre o discurso da presidente em defesa de seu mandato feito durante evento em São Bernardo do Campo nessa semana. 

Além do líder do PT na Câmara, participaram do encontro com Lula nesta quinta-feira os deputados Wadih Damous (RJ), Paulo Pimenta (RS), Paulo Teixeira (SP), José Mentor (SP), Maria do Rosário (RS), Luis Sérgio (RJ), Afonso Florence (BA), Carlos Zarattini (SP), Margarida Salomão (MG), Valmir Assunção (BA) e Ságuas Moraes (MT). Do hotel, o ex-presidente seguiu para o Palácio da Alvorada, onde deve se encontrar com a presidente Dilma nesta noite.

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