Líder do PSDB na Câmara diz que demissão de Graça Foster foi tardia

Para Carlos Sampaio (SP), permanência da executiva no cargo tinha por objetivo 'limpar a barra do governo'; tucano diz ter alcançado número mínimo de assinaturas para instalar nova CPI

ERICH DECAT, O Estado de S. Paulo

04 Fevereiro 2015 | 12h17

Brasília - O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), considerou tardia a saída da presidente da Petrobrás, Graça Foster, oficializada nesta quarta-feira, 4, pela própria estatal. Para o tucano, a permanência dela à frente da estatal, após as denúncias de desvios investigadas na Lava Jato, serviu apenas para que ela "limpasse a barra do governo".

A informação da saída de Foster e de outros 5 diretores consta em ofício da estatal à BM&FBovespa, que pediu explicações sobre notícias de mudanças no comando da empresa. A nota, no entanto, não menciona o nome dos demais diretores. No informe, a Petrobras diz que ela e os diretores renunciaram a seus cargos.

"Essa demissão foi tardia. A própria oposição já estava pedindo desde setembro até para que as investigações pudessem fluir. Por que demorou até agora? Porque a presidente Graça Foster cumpriu uma missão para o governo. Ela estava lá para limpar a barra do governo, cumpriu essa missão e a presidente Dilma a está demitindo", afirmou o tucano.

Questionado sobre o que seria exatamente "limpar a barra", Sampaio emendou: "Limpar a barra é você efetivamente não contribuir com provas que possam levar à participação do governo, do PT e de partidos aliados que foram denunciados".

CPI. O líder do PSDB disse também que depois da conferência das assinaturas pela secretaria-geral da Casa, o número final é de 182 apoios para a instalação de uma CPI para investigar as irregularidades na estatal, 11 a mais do que o definido regimentalmente para a criação de uma comissão de inquérito.

A expectativa dos tucanos é que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), leia o documento em plenário para iniciar o prazo de cinco sessões para a indicação dos integrantes que irão compor a CPI. "O presidente Eduardo Cunha esteve conosco fazendo campanha antes das eleições e nessa oportunidade se comprometeu conosco. Ele disse que jamais seria um empecilho para a instalação da CPI", afirmou o tucano.

Sampaio informou ainda que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), pediu cópia do requerimento com o pedido da CPI para também coletar assinaturas no Senado e dessa forma realizar uma Comissão Mista com a participação de integrantes das duas Casas.

A proposta elaborada pelo PSDB da Câmara pede a criação de uma CPI para investigar irregularidades na Petrobrás entre 2005 e 2015 "relacionados a superfaturamento e gestão temerária" na construção de refinarias no Brasil. A oposição também quer apurar a constituição de empresas subsidiárias e sociedades "de propósito específico pela Petrobras com o fim de praticar atos ilícitos", o superfaturamento e gestão temerária na construção e afretamento de navios de transporte, navios-sonda; além de supostas irregularidades na operação a companhia Sete Brasil e na venda de ativos da estatal na África.

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