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Marcos Oliveira|Agência Senado

Líder do governo no Senado vê 'erro de condução política' em votação do pré-sal

Segundo o senador Humberto Costa, quando o governo decidiu negociar o texto que acabou aprovado, que dá à estatal preferência em futuras licitações, a posição contrária do PT já estava consolidada

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Luciana Nunes Leal e Ricardo Galhardo,
O Estado de S. Paulo

26 Fevereiro 2016 | 11h45

Rio - O líder do governo no Senado, Humberto Costa, disse nesta sexta-feira, 26, ao chegar para a reunião do Diretório Nacional do PT, que "houve erro de condução política" na votação do projeto do senador José Serra (PSDB-SP) que desobrigou a Petrobrás de ser operadora única e ter participação mínima de 30% na exploração da camada do pré-sal. Segundo Costa, quando o governo decidiu negociar o texto que acabou aprovado, que dá à estatal preferência em futuras licitações, a posição contrária do PT já estava consolidada e não houve ambiente para discutir a alteração feita pelo relator Romero Jucá (PMDB-RR).

"De manhã (na quarta-feira, 24, dia da votação), nos foi dito que a posição era contrária (ao projeto). Trabalhamos os discursos, tudo em cima disso. Depois chegou a proposta (de negociar a inclusão da preferência da Petrobrás). Mas nosso campo já estava muito radicalizado. A proposta (aprovada) é inegavelmente melhor do que o texto original do Serra, mas já havia um ambiente de conflagração e o pessoal (parlamentares do PT e outras legendas da base) não quis nem analisar. A proposta não era ruim, mas chegou no momento errado. Houve um erro de condução política. Se o governo tivesse dito antes 'vamos negociar', a gente teria feito.

Faltou uma calibração melhor na política", afirmou Costa.

O senador disse esperar que a Câmara, onde o projeto será analisado agora, "melhore" o texto. "Não tem como resolver em quinze, vinte minutos ou meia hora um problema que tem toda essa simbologia, por envolver a Petrobrás", afirmou. Costa amenizou a forte reação de setores do PT contra o comportamento do governo ao negociar a aprovação do projeto. "Não vi como um problema do outro mundo", declarou.

Também presente na reunião do Diretório, o deputado Henrique Fontana (RS) disse que a bancada do partido na Câmara será contra o projeto que saiu do Senado. Segundo Fontana, os deputados cobrarão do governo uma explicação para o que aconteceu no Senado, com a mudança em cima da hora, quando os petistas acreditavam que o governo tinha dado aval à posição contrária ao projeto.

"Esse tema foi tratado de uma maneira muito açodada, muito precipitada no Senado. A população foi surpreendida", reclamou Fontana. Durante toda a discussão da proposta de José Serra, a presidente Dilma Rousseff  deu sinais contraditórios sobre o projeto, o deixou governistas favoráveis e contrários ao projetos sem uma posição clara do governo. Parlamentares avaliam que o estilo da presidente, de adiar a tomada de decisões de temas fundamentais como este, acabou criando mais este conflito entre o governo e o PT. 

Dilma. Henrique Fontana criticou o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, por ter dito, em entrevista ao Estado que não fazia questão da presença da presidente Dilma Rousseff na festa de aniversário de 36 anos do  PT, neste sábado, 27, no Rio de Janeiro, que terá a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Contariada com o ataque do PT à política econômica do governo, Dilma cogita não comparecer à festa, que terá show do sambista Diogo Nogueira e da bateria da Portela. "É lamentável a fala do presidente do PT do Rio, eventuais divergências têm que ser tratadas com maturidade, não podemos ter esse destempero. E uma frase que desrespeita uma das mais importantes filiadas do nosso partido", criticou Fontana.

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