Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Levy confirma que continua no Ministério da Fazenda

Nota oficial foi divulgada após o ministro retornar de uma reunião com a presidente Dilma Rousseff e os ministros Jaques Wagner (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento)

João Villaverde, Rachel Gamarski e Bernardo Caram, O Estado de S. Paulo

16 Outubro 2015 | 19h16

Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, continua no cargo. A informação foi transmitida nesta noite pela assessoria de comunicação do Ministério, a pedido de Levy. O ministro voltou da reunião com a presidente Dilma Rousseff e os ministros da Junta Orçamentária, Jaques Wagner (Casa Civil) e Nelson Barbosa (Planejamento) e, uma hora depois, demandou que sua assessoria transmitisse a mensagem. O ministro não falou com a imprensa ao deixar o encontro

"Ele não pediu demissão, não existe carta de demissão. Levy continua trabalhando e se esforçando pelo futuro do País", informou a assessoria de imprensa aos jornalistas. No fim da tarde, surgiu o rumor de que Levy teria redigido uma carta de demissão para apresentar a Dilma nesta sexta.

Oficialmente, o encontro teve o objetivo de discutir a necessidade de rever a meta fiscal desse ano, além de definir as prioridades da agenda legislativa. Desde quinta, aumentaram os rumores sobre uma eventual saída de Levy do governo.

Isso porque, nos últimos dias, aumentou muito a pressão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de parlamentares do PT e de sindicalistas da Central Única dos Trabalhadores (CUT) pela demissão de Levy.

Uma fonte da Fazenda, que chegou à Pasta a convite de Levy, afirmou mais cedo, após o retorno do ministro ao gabinete, que o compromisso número 1 de Levy continua a ser a de melhorar o quadro das contas públicas que ele herdou de Guido Mantega. Esse objetivo passa pelo Orçamento de 2016, que concentra 100% das atenções de Levy nas últimas semanas.

"Mas isso não significa que ele esteja feliz. Ninguém ficaria (feliz) numa situação dessas, de pressão interna", disse uma fonte da Fazenda quando questionada sobre as críticas crescentes feitas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por parlamentares do PT à Levy. A mesma fonte lembrou que Levy só está no cargo porque foi convidado pela presidente Dilma Rousseff e que assumiu o posto com a missão de conduzir o ajuste fiscal. 

Tesoureiro. Para o ex-presidente Lula e para o PT o ministro mantém discurso excessivamente concentrado no ajuste fiscal e tem visão de tesoureiro, e não uma perspectiva mais ampla da política macroeconômica. Isto é, Levy não seria capaz de conduzir o País para além do ajuste fiscal, num cenário de crescimento e agenda positiva.

Lula avalia que a missão "ortodoxa" de ajeitar as contas públicas poderia ser melhor desempenhada por Henrique Meirelles, que presidiu o Banco Central nos oito anos de seu governo, entre 2003 e 2010. Meirelles, no entanto, nunca foi próximo de Dilma.

Na última vez em que Levy esteve sob intensa pressão de Lula, do PT e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), como agora, o ministro da Fazenda recebeu o apoio de grandes banqueiros, como os presidentes do Bradesco e do Itaú Unibanco. O processo de "fritura" de Levy ocorreu nos últimos dias de agosto, atingindo o mercado financeiro, que vê em Levy como uma espécie de "tábua de salvação" na gestão Dilma.

Levy chegou a postergar, em cima da hora, sua viagem para o encontro de ministros de finanças dos países do G-20, em 3 de setembro, para uma reunião em cima da hora com Dilma, que serviu para prestigiá-lo. Levy permaneceu no cargo e, nos últimos 30 dias, apesar das dificuldades persistentes para fazer aprovar medidas do ajuste fiscal no Congresso, conseguiu atravessar um período mais calmo.

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